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CIDADES
Quinta-feira, 09 de Setembro de 2010, 20h:05

MEGACONSTRUÇÃO

Queda do décimo andar

Trabalhador de 19 anos caiu da construção de torre de condomínio de luxo. Ele é 3ª vítima fatal do setor em 2010

DHIEGO MAIA
Da Reportagem
Mais uma vítima entrou para as estatísticas de morte em canteiros de obras de condomínios residenciais em Mato Grosso. Desta vez, o auxiliar de carpintaria, Maxiley Severo de Brito, de 19 anos, despencou, na manhã de ontem, do 10º andar de um dos prédios do parque residencial Bonavitta, construído ao lado do Pantanal Shopping, em Cuiabá. Com Brito, sobe para três o número de mortes na construção de prédios em Mato Grosso apenas nos primeiros oito meses deste ano, segundo dados da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Estado (SRTE). Informações de trabalhadores e do representante do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Joaquim Santana, apontam que o auxiliar, antes de cair, estava em cima de três caibros, que se romperam com o peso do jovem. Brito estava com capacete, porém sem cinto de segurança, equipamento que teria evitado a tragédia. “Acho que houve uma falha muito grande. Jamais ele poderia ter subido sem cinto”, revela o representante dos trabalhadores. Contradições à parte, o auxiliar seria responsável por construir a “bandeja de segurança”, estrutura que teria salvo a vida dele. Quem poderia autorizar ou não o acesso do auxiliar até o 10º andar seria o técnico de segurança, profissional que avalia as condições de segurança de qualquer obra. Segundo Santana, o profissional não estava no local no momento do acidente. “Não tinha nenhum técnico de segurança para verificar as condições da obra e nem os equipamentos”, confirma. A figura do técnico de segurança era ainda mais imprescindível porque a obra, que já ergueu duas das cinco torres do projeto, estava embargada pela Justiça há 13 dias. Ação civil pública movida pelo Ministério Público apontou que a construção iria causar danos ambientais irreparáveis, já que estava próxima de uma área de proteção permanente (APP) e, com o avanço da construção, um curso d’água que passa dentro do empreendimento imobiliário também poderia desaparecer. A empresa responsável pela obra, Brookfield Construções, conseguiu derrubar a liminar na Justiça e, assim reiniciou as obras ontem. Maxiley era morador do bairro Bela Vista e trabalhava no empreendimento há três meses. Além da Polícia Civil, a Superintendência do Trabalho também vai investigar as condições em que estavam submetidos os trabalhadores na empreitada. A reportagem esteve no local da construção horas depois do acidente. Ninguém foi encontrado, porque os trabalhos foram interrompidos. À reportagem, a assessoria de imprensa da construtora Brookfield lamentou o ocorrido e informou que acompanha o caso para garantir que a família da vítima receba assistência necessária. A nota ainda aponta que os equipamentos de segurança foram entregues a Maxiley e que todos os funcionários passam por treinamentos. A construtora também informou que mantém equipe de profissionais que atua preventivamente para evitar acidentes nos canteiros de obras. Assegurou ainda colaborar com as investigações. O corpo de Maxiley já passou por perícia no Instituto Médico Legal. A vítima será enterrada por volta das 14h de hoje. A família já sinalizou que pretende entrar na Justiça contra a empresa. DADOS DE MT - O Estado é campeão em número de acidentes de trabalho na região Centro-Oeste. Nos oito meses de 2010 já foram registrados 61 casos, contra nove do Mato Grosso do Sul, 12 de Goiás e 18 do Distrito Federal. No período, a SRTE já investigou 56 acidentes de trabalho, sendo sete fatais. Ano passado, foram 46 acidentes com nove mortes em diversos setores, incluindo a construção civil. (Colaborou Adilson Rosa)

Edição EDIÇÃO 16962




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