CIDADES
Quarta-feira, 16 de Junho de 2010, 22h:02
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REFORMA AGRÁRIA
Protestos em BRs devem ser retomados
Os manifestantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) que bloqueavam até ontem as rodovias BR-163, em Sorriso, e BR-070, em Cáceres, podem voltar com os protestos dependendo do resultado das negociações marcadas para hoje com representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Segundo a coordenação do movimento, uma reunião com o órgão foi remarcada para esta manhã. Enquanto isso, os manifestantes aguardarão na beira das estradas. Parte dos trabalhadores chegou a realizar uma marcha ontem em Tangará da Serra, onde conseguiram uma audiência com o prefeito. De acordo com o ouvidor agrário do Incra, Salvador Soutério, os manifestantes foram convencidos de encerrar os bloqueios nas estradas para viabilizar a negociação, que não é recente. Em maio do ano passado, manifestações semelhantes por celeridade nos processos de regularização de assentamentos foram promovidas nos mesmos lugares. Segundo o coordenador do MST, Antônio Carneiro, o objetivo dos protestos é pressionar o Incra cujos servidores estão atualmente em greve - para providenciar a regularização de áreas como a fazenda São Paulo, em Mirassol DOeste (reivindicada há 8 anos), onde já estão acampadas 180 famílias. O caso virou inclusive uma pendenga judicial, uma vez que a União reconhece a área improdutiva como destinada à reforma agrária, mas o fazendeiro sempre recorre das decisões. Reivindicação semelhante é a desapropriação da fazenda Santa Rosa I, na região de Sorriso, onde 300 famílias atualmente acampam um processo que já se arrastou por mais de 11 anos. A documentação do local precisa ser certificada por meio de vistorias que atestem tratar-se de área improdutiva, segundo Carneiro, procedimento que até hoje o Incra não realizou. Já em Cláudia, 700 famílias aguardam que o órgão apenas defina os lotes, já adquiridos, para o assentamento. Embora as reivindicações sejam por questões pontuais em Mato Grosso, Carneiro explica que a raiz dos problemas enfrentados pelo MST aqui está na falta de recursos destinados à política de assentamentos nacional. Este ano, por exemplo, foram apenas R$ 485 milhões, critica Carneiro, o que só contemplou cerca de 20 mil famílias. No Brasil, elas são 90 mil. As que se encontram acampados em Mato Grosso são estimadas em 2,5 mil. Até o momento, a única providência anunciada pelo Incra para os acampados foi de conseguir mais verba para lonas. Outra interdição que afetou o trânsito ontem foi na BR-364, na altura da serra de São Vicente, por parte do Movimento dos Trabalhadores da Agricultura (MTA). Assentados exigem recursos para trabalhar no assentamento em que estão desde 2008. O bloqueio continua hoje.