CIDADES
Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011, 20h:44
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SAÚDE MENTAL
Protesto para manter CIAPS Adauto Botelho
Manifestantes pedem que governo não mude atendimento especializado para mais longe
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Comemorado ontem, o Dia Mundial da Saúde Mental foi marcado por um protesto contra a transferência dos leitos do CIAPS Adauto Botelho, que fica no bairro Coophema, em Cuiabá, para o antigo Instituto Neuropsiquiátrico (INC), localizado na BR-364 (saída para Rondonópolis), distante cerca de 20 quilômetros da área urbana da cidade. O Abraço ao Adauto reuniu servidores, usuários, familiares e profissionais da área médica. Entre eles, o ex-secretário de Estado de Saúde, Júlio Müller, que entende que a mudança materializa um modelo de tratamento ultrapassado e condenado, que é o de manicômio. Os pacientes vão sair do Adauto, que precisa de reforma, mas é um ambiente mais favorável, para ficar presos em celas, criticou. A estimativa é que mais de 450 milhões de pessoas sofram de distúrbios mentais em todo o mundo. Do Fórum Intersetorial de Saúde Mental de Mato Grosso (FISM-MT), Soraya Miter lembrou que o prédio do INC é de propriedade privada, está sucateado, cheio de infiltrações com os mesmos problemas de infraestrutura que as unidades de internação atuais. Então, por que não reformar o Adauto Botelho ao contrário de investir em um prédio que é privado, questionou. Soraya Miter reforçou ainda que o antigo INC apresenta um modelo arquitetônico de prisão e que a medida vem em desencontro com a política Nacional que preconiza a abertura de leitos em hospitais gerais. O fechamento do Neuro em 2004 simbolizou a efetivação do fechamento do manicômio, o que contribuiu para a Reforma Psiquiátrica em Mato Grosso, juntamente com abertura de inúmeros Caps e residências terapêuticas, argumentaram os manifestantes. Além disso, lembraram que o prédio do Neuropsiquiátrico fica em um local sem transporte público, o que coloca em risco e inviabiliza a locomoção de pacientes e familiares. Esta, aliás, é uma das grandes preocupações da dona-de-casa Rosana de Oliveira, 52 anos, que mora em Várzea Grande. É totalmente fora de mão, o Pedro Henry (secretário estadual de Saúde) não pode fazer isso com a gente, lamentou. Na Conferência Municipal de Saúde de Cuiabá, realizada neste ano, foi discutida a possibilidade de remoção das unidades para o prédio do INC, porém a proposta foi rechaçada. Os manifestantes também protestaram contra o gerenciamento das unidades por organizações sociais de saúde (OSS) por entenderem que significa a privatização do serviço público. Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que o prédio onde hoje funciona o Adauto Botelho é antigo e não oferece condições para adequações, além de não atender as normas de vigilância sanitária. Por isso, será desativado. Para o antigo Neuropsiquiátrico serão transferidos os 120 leitos atualmente disponibilizados, 70 leitos destinados para ressocialização, 20 para desintoxicação e Pronto-Atendimento 24 horas. Além de patrocinar as adequações, o Estado irá alugar o prédio do Neuropsiquiátrico.