CIDADES
Sexta-feira, 03 de Junho de 2011, 21h:27
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INVESTIGADORES
Protesto da família
Vítima de ação desastrosa de policiais é lembrada pelos familiares em manifestação na avenida do CPA
Os familiares do promotor de eventos Gilson Silvio Alves, morto por policiais no último dia 23, realizaram um protesto durante a tarde de ontem, na praça Ulisses Guimarães, avenida do CPA. Portando faixas com apelos por paz e justiça no caso controverso e ainda sob investigação da Polícia Civil os familiares também se manifestaram em frente à Procuradoria Geral do Ministério Público Estadual (MPE). Gilson foi morto num matagal ao lado do Posto 2006, na Rodovia dos Imigrantes, em Várzea Grande. Ele foi alvejado por oito disparos efetuados por investigadores que, segundo a Polícia Civil, estariam tentando realizar uma diligência. Gilson teria sido confundido com um procurado ladrão de carretas. Esta versão oficial tem sido contestada por testemunhas e familiares de Gilson desde o dia de sua morte. O protesto contou com poucos manifestantes, cerca de dez apenas. Entre eles, foi sentida a falta da mãe e da esposa de Gilson. Segundos os presentes, a viúva Josiane Carlos dos Santos não teve alternativa a não ser viajar para o interior, onde Gilson já havia acertado o recebimento pela exploração de um ponto de barraca para vender alimentos durante uma exposição. Já a mãe de Gilson, que não come desde a morte do caçula, também se trancou num quarto desde então. Um dos irmãos de Gilson, Carlos César Lara Alves, esclareceu que a manifestação, embora pequena, serviu para chamar a atenção das autoridades para a necessidade de amparar a viúva de Gilson e os filhos. Todos dependiam da renda do promotor de eventos. O Estado tem que arcar com as consequências, enfatizou. O CASO Na tarde do dia 23, Gilson estava no restaurante do Posto 2006 com a esposa Josiane quando, segundo ela, os policiais à paisana Edson Leite, Maxwel Pereira e João Caveira chegaram correndo. Gilson amedrontado pelas ameaças que vinha recebendo fugiu para o matagal com a esposa e foi atingido pelas balas. Ele suspeitava de um acerto de contas por ter surrado um suposto responsável pelo assalto à sua casa na sexta-feira. O tal assaltante teria ligação com Caveira. A versão policial admite que Gilson foi morto sem qualquer ligação com o tal ladrão de carretas investigado por Edson Leite, mas nega a relação entre Caveira e os assaltantes da casa de Gilson. A polícia também relata uma suposta luta corporal de Gilson com Maxwel, seguida de tiroteio. Gilson teria conseguido apanhar a pistola de Maxwel. Ele e o colega Edson saíram feridos, mas Edson revidou os tiros em Gilson. Em seguida, Caveira tentou levar Edson ao Pronto-Socorro, mas o carro em que estavam chocou-se fatalmente com um muro. A polícia afirmou que Caveira estava coincidentemente abastecendo seu carro no mesmo posto de combustíveis no momento em que ocorreu a suposta diligência de Edson Leite. Ao ouvir os tiros, teria corrido para ajudar, mas há versões apontando que ele chegou lá junto com os outros policiais.