CIDADES
Terça-feira, 19 de Junho de 2012, 22h:09
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UFMT DE VG
Projeto prevê salas sem ar-condicionado
Arquiteto defende que campus em Várzea Grande use um princípio segundo o qual o ar fresco será retirado do subsolo; proposta ainda não foi aprovada
LAURA NABUCO
Da Reportagem
Apostando nos princípios da geoteoria - que trata da captura de ar fresco no subterrâneo - contra o calor rigoroso da Grande Cuiabá, o arquiteto e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), José Afonso Portocarrero, propõe que o novo campus da instituição, a ser implantado em Várzea Grande, seja construído de maneira sustentável dispensando o uso de ar-condicionado. A base do projeto é a construção de dutos de ar saindo do subsolo e passando por todo o prédio. Exaustores no telhado auxiliariam a climatização das salas. Conforme o Portocarrero, a cerca de três metros abaixo da superfície a temperatura do ar se mantém estável em aproximadamente 20 graus. Não é o suficiente para manter o clima que um ar-condicionado proporciona, em que você pode até regular a temperatura, mas gera um conforto térmico, avaliado como ideal, de uns 25 graus, explica. O sistema de ventilação vindo do subterrâneo deve se complementar a outras características arquitetônicas como janelas e beirais grandes, possibilitando arejamento dos ambientes e proteção do sol. Além disso, a proposta inclui um telhado verde, em que um sistema de impermeabilização permitirá a plantação de grama na laje do prédio. Portocarrero afirma ainda que o local onde o campus será implantado também contribui com a ideia. O terreno, de 800 mil metros quadrados, está na região da Passagem da Conceição, cerca de 80 metros acima do nível da Praça Ipiranga, no centro da Capital. Isso por si só já permite uma maior velocidade do vento. Lá também tem uma área verde, onde será mantida uma reserva, e o córrego Parizinho, pontua. Avaliado em R$ 48 milhões, o prédio sustentável é mais caro que um convencional. Portocarrero garante, no entanto, que o investimento a mais se paga com a economia de energia elétrica. Segundo ele, a UFMT gasta cerca de R$ 800 mil por mês com conta de luz. Boa parte do montante corresponde ao uso de ar-condicionado. O pesquisador acredita ainda que o novo campus pode contribuir para uma mudança de hábitos naqueles que o freqüentarem. Meus filhos estudam num colégio tradicional da Capital em que eu estudei quando era criança. Na época as janelas eram deixadas abertas durante as aulas. Hoje meus filhos vão à escola com blusa de frio porque o ar-condicionado quase congela a sala, exemplifica. Dentro de 30 dias um projeto de simulação matemática deve ser apresentado como prova de que a ideia é viável. Portocarrero explica que um programa de computador específico possibilita aos pesquisadores que trabalham no projeto identificar os resultados climáticos que podem ser alcançados antes de iniciar a obra. Caso aprovada, a proposta passa então para a fase de elaboração do anteprojeto e do projeto de execução, que devem ser concluídos até o final do ano. A expectativa é licitar a obra já no início de 2013.