CIDADES
Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011, 14h:42
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ESCRAVIDÃO
Projeto pioneiro de MT segue ao Maranhão
Em coletiva, MPT divulgou ontem dados sobre trabalhadores libertados de situação análoga à de escravidão. Estado está em 8º lugar no país
CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
O Maranhão será o próximo estado brasileiro a implantar o programa que foi criado e executado de forma pioneira em Mato Grosso para reinserção no mercado de pessoas resgatadas de condições degradantes de trabalho. O programa deve ser levados para outras diversas regiões. O estado nordestino foi escolhido porque teve o maior número de resgates de trabalho escravo entre os anos de 2005 e 2010, com 3.920 pessoas, conforme dados divulgados ontem pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Mato Grosso ficou em oitavo lugar na lista, com 888 resgates. Em todo o país, foram mais de 17 mil no período. O projeto Resgatando a Cidadania, da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete) do MPT, foi idealizado a partir de trabalho semelhante que acontece em Mato Grosso desde 2008 e que já retirou dessas condições 345 pessoas. O objetivo do MPT é fazer com que o governo federal adote o projeto como política pública. A implantação do Resgatando a Cidadania será no dia 19 de abril no Maranhão. É uma estratégia complementar e iremos contar com parceiros locais e nacionais, destacou Otavio Brito, procurador do Trabalho. A coordenadora da Conaete, Débora Tito, salientou que é preciso não só resgatar os trabalhadores em situação de escravidão, mas conferi-los efetiva liberdade. O projeto não é utópico, mas baseado em dados que não só previnem o trabalho escravo, mas reinclui no mercado esse grupo de pessoas, afirmou. O procurador-chefe de Mato Grosso, Raulino Maracajá Coutinho Filho, esteve na solenidade de lançamento do projeto. Apesar de Mato Grosso não ter nem um terço do número de trabalhadores resgatados no Maranhão, ainda há muito a ser feito, como avaliou o coordenador da Campanha de Combate ao Trabalho Escravo da Pastoral da Terra, Ademir Mantovani. Aquilo que é descoberto é uma pequena parcela do que acontece, afirmou. Para ele, o maior problema é de falta de recursos, tanto financeiros quanto humanos, para melhorar os trabalhos. A estrutura da Pastoral da Terra é pequena, tem poucas pessoas. E nós sabemos como o Estado é grande e tem áreas de difícil acesso, assinalou. A reportagem não conseguiu contato com a Superintendência Regional do Trabalho em Mato Grosso e nem com a diretoria da Comissão Estadual do Trabalho Escravo em Mato Grosso (Coetrae). PIONEIRO - O Projeto Integrado de Qualificação de Egressos do Trabalho Escravo tem como meta resgatar os trabalhadores em condições análogas às da escravidão e, depois investir na qualificação profissional por meio de cursos ofertados pelo SESI/SENAI. Desenvolvido pelo Ministério Público do Trabalho no Estado e parceiros, o encaminhamento para o mercado de trabalho é feito pelo SINE, CUFA, SENAI, SESI, AMPA e empresas que queiram fazer parte do programa.