CIDADES
Sábado, 17 de Dezembro de 2011, 13h:28
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FAMÍLIA
Projeto Padrinhos permite a adoção de crianças maiores
Histórias como a do casal Jairço e Claudia Miranda mostram que a adoção de crianças com mais idade tem tudo para ser bem-sucedida
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Há três anos, a culinarista Claudia Miranda, de 37 anos, passava pela Avenida Historiador Rubens de Mendonça, em Cuiabá, quando um outdoor do projeto Padrinhos, com imagens de algumas crianças, chamou-lhe a atenção, em especial a de Jullyender Bernardo Miranda dos Reis, de 11 anos. Senti afeto por ele naquele instante, conta Claudia Miranda, que decidiu adotar uma criança na chamada idade tardia. Na época, Jullyender tinha oito anos. Porém, Claudia Miranda apostou no amor, deixou o medo de lado e quebrou barreiras. Ela reconhece que no início queria uma criança mais nova. Na foto do outdoor ele tinha quatro anos. Depois que eu e meu marido decidimos apadrinhar participamos de reuniões na Ceja (Comissão Estadual Judiciária de Adoção), que nos mostraram fotos de todas as crianças e mais uma vez nos afeiçoamos pelo Jullyender, afirma. Cadastro e laudo psicossocial aprovado, Claudia Miranda e o marido Jairço dos Reis se tornaram padrinhos afetivos de Jullyender e passaram a buscá-lo na instituição em que ele ficava. Todos os finais de semana o casal buscava o garoto e o levava para a casa. Lembro-me que a primeira vez que o buscamos. Estava perto do Natal. Depois passamos a buscá-lo todas as sextas-feiras e, com isso, foi-se criando um vínculo muito forte entre a gente, diz Cláudia. A partir daí foi um passo para que o casal decidisse pela adoção. Ao falar de Jullyender, Claudia Miranda afirma que não tem o que reclamar. Segundo ela, desde o começo a convivência entre ele e o restante da família foi fácil. Desde o primeiro dia, o Jullyender já se enturmou com todos. Ele é muito tranqüilo e responsável. Não dá trabalho, afirma. Não tendo sido bem tratado pelos pais biológicos, Jullyender estava com cinco quando foi levado para o abrigo. Hoje, com 11 anos, ele vive como outra criança qualquer: estuda, brinca e passa momentos de diversão com a família. De poucas falas, Jullyender sorri e confirma que está feliz. É a minha mãe do coração. Para Claudia Miranda também não é diferente. É um sentimento muito grande de amor e que a gente nunca espera recompensar, diz, emocionada e abraçada ao filho. O projeto Padrinhos, do qual Cláudia e Joirço participaram, tem oferecido uma nova chance para crianças e adolescentes com possibilidades remotas ou inexistentes de adoção. Neste ano, dos 23 padrinhos, entre afetivos, provedores e prestadores de serviços, seis decidiram pela adoção tardia. Corregedora de Justiça e coordenadora da Vara da Infância e Juventude, a juíza Helena Maria Bezerra Ramos explica que o padrinho afetivo é aquele que visita regularmente a criança ou adolescente e o busca para passar final de semana, feriados ou férias escolares. Os prestadores consistem no profissional de qualquer área que se cadastra para atender os meninos e meninas participantes do projeto, conforme sua especialidade trabalho. Já o provedor é aquele dá suporte material ou financeiro. Em Mato grosso há 62 meninos e meninas aptas para adoção.