CIDADES
Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008, 20h:14
A
A
SAÚDE PÚBLICA
Profissionais vão identificar maus-tratos
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Profissionais da área da saúde são capacitados para identificar possíveis casos de maus-tratos, violência, exploração sexual, trabalho escravo ou doméstico contra criança e adolescente. O curso Atenção integral à saúde da criança e adolescentes economicamente ativos acontece em Cuiabá e reúne profissionais da atenção básica com perfil de multiplicadores, como assistentes sociais e enfermeiros. Somente de janeiro a junho deste ano, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) registrou 305 casos contra meninos e meninas, de violência física, psicológica e sexual, além de exploração, conflito familiar, entre outros tipos de crimes. Em 2007, foram 638 de janeiro a dezembro. De acordo com a coordenadora de Educação em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), assistente social Soraia Maciel, é muito difícil identificar esses tipos de casos. Por isso, a importância de o profissional da área estar atento quando uma criança ou adolescente der entrada em uma unidade de saúde vítima de algum acidente. O profissional tem que ter um olhar diferenciado, aprofundar e procurar saber como e onde ocorreu, o que a criança estava fazendo, disse Soraia. Tem que verificar se não foi um acidente de trabalho ou mesmo uma violência doméstica para fazer os encaminhamentos necessários. A dificuldade em identificar os casos, conforme Soraia, se deve a própria falta de informação dos trabalhadores ou porque, muitas vezes, a criança não consegue perceber que vive uma situação de exploração, por exemplo. Conforme a servidora, detectados e confirmados, os casos serão encaminhados para o Conselho Tutelar, Fórum dos Direitos da Criança e do Adolescente, além de à Superintendência Regional do Trabalho (DRT) ou à Delegacia Especializada (Deddica). O curso faz parte da política de humanização do atendimento ao usuário do sistema público de saúde. O coordenador geral dos Conselhos Tutelares de Cuiabá, Davino Mário de Arruda, considerou importante o curso. Ele explicou que, normalmente, para evitar que os casos de violência e agressões sejam descobertos pelo profissional da área médica, os pais alegam que o filho sofreu uma queda ou acidente. Daí, é fundamental ficar atento. É importante capacitar toda a rede de atendimento para que possa perceber quando alguma coisa errada vem ocorrendo com uma criança ou adolescente, frisou lembrando que mudanças de comportamento ou mesmo hematomas constantes e visíveis devem ser observados.