CIDADES
Sexta-feira, 09 de Fevereiro de 2007, 20h:47
A
A
ENSINO PRIVADO
Professores se mobilizam por melhores condições laborais
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Profissionais do ensino privado realizam assembléia hoje para discutir reajuste salarial com reposição das perdas e as condições de trabalho. De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Privado de Mato Grosso (Sintrae), Marilane Costa, a possibilidade de paralisação das atividades está descartada no momento. O percentual de reajuste salarial será decidido na assembléia de hoje. No entanto, conforme Marilane Costa, estudos apontam que desde 1994 a categoria teve uma perda salarial de 19,93%. Além do reajuste, há uma série de outros assuntos que vamos discutir, como pagamento de hora atividade, excessiva jornada de trabalho, atrasos salariais, pagamento de título e assédio moral, disse. Existe uma convenção trabalhista, um acordo feito entre sindicatos (Sintrae e Sinepe), mas que as instituições não cumprem, acrescentou. Conforme Marilane Costa, em muitos casos, além de não estarem sendo remunerados por atividades como correções de trabalhos e reuniões pedagógicas, os professores vêm sendo pressionados a exercerem funções diferentes da que são contratados. Teve o caso de um professor que teve que limpar a sala de aula, comentou. O assédio moral também é grande. Alguns casos, conforme ela, já foram denunciados à Delegacia Regional do Trabalho e Emprego (DRTE). As condições de saúde também não são boas. A categoria vive um processo de adoecimento devido às jornadas excessivas de trabalho. O Sintrae denuncia ainda a perseguição a lideranças sindicais dentro das escolas. Até mesmo a estabilidade sindical, garantida pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) está sendo descumprida: uma escola demitiu recentemente membros da diretoria do sindicato. A reunião também deve abordar temas da conjuntura nacional, como a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e a reforma do ensino superior, assim como a luta nacional pela regulamentação do setor. "O ensino privado não é regulamentado no país. Isso abre espaço para que as instituições descumpram o seu papel social. Por isso, nossa luta é pela regulamentação", disse o presidente por meio da assessoria de imprensa. O presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Mato Grosso (Sinepe-MT), Gelson Menegatti, informou que a entidade ainda não recebeu a pauta de reivindicação da categoria e informou que a convenção coletiva ainda está em vigor. Ele rebateu as críticas em relação às precárias condições de trabalho. Ao informar que o professor ganha por hora/aula, Menegatti disse que são os próprios professores que querem trabalhar até 40 horas para ganhar mais. Além disso, segundo o dirigente, existe um banco de horas que faz a compensação (pagamento) de atividades fora da sala de aula.