CIDADES
Quinta-feira, 19 de Julho de 2012, 21h:06
A
A
ENSINO SUPERIOR
Professores da UFMT mantêm greve
Docentes se reuniram ontem, em assembleia geral, e decidiram manter a paralisação, que já dura dois meses; alunos fazem caminhada de apoio
LAURA NABUCO
Da Reportagem
Com ampla maioria de votos, apenas uma abstenção e apoio de um grupo de estudantes, os professores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) rejeitaram, em assembleia realizada ontem, a proposta do governo federal para por fim à greve que já dura dois meses. Entre os principais pontos questionados pela classe estava o modelo de progressão de carreira. De acordo com o proposto pela União, para serem promovidos, os professores teriam que passar por uma avaliação com base em critérios impostos pelo Ministério da Educação (MEC). Para os docentes, a medida fere a Constituição Federal de 1988, que prevê autonomia às universidades. Os professores também argumentam que o aumento salarial apresentado pelo governo não corresponde a 45%, como havia sido divulgado. Segundo eles, o valor é de pouco mais de 39%, já que foi elaborado com base na inflação de fevereiro e não de março deste ano. Eles reclamam ainda que a proposta não se ajusta à realidade da UFMT, uma vez que os maiores percentuais de reposição salarial estão concentrados aos professores com título de doutorado. Além disso, os cálculos foram feitos com base num piso de R$ 1.853, quando o pleiteado era de R$ 2.329, considerado o salário mínimo ideal pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A rejeição já era esperada, uma vez que o comando nacional da greve havia indicado pela não aceitação do que foi apresentado pelo governo federal. Diante disso, o comando local da paralisação elaborou uma conta-proposta que deve ser encaminhada a Brasília e examinada em conjunto com as das demais universidades do país. Na nova proposta, os professores cederam e aceitaram a indicação do piso sugerido pela União. Eles pleiteiam, no entanto, que a tabela de progressão dos vencimentos elaborada por eles seja mantida. De acordo com ela, o aumento poderia chegar até 75% para docentes com título de doutorado e 35% aos mestres. Cerca de 50 alunos da UFMT de e de outras universidades do país que participam do Encontro Nacional dos Estudantes de Psicologia (Enep) fizeram uma passeata em apoio ao protesto dos professores pelo campus de Cuiabá e chegaram a interditar parcialmente a avenida Fernando Corrêa. A greve, que teve início em maio, é uma espécie de continuação de uma paralisação anterior. Os professores reclamam do atraso no cumprimento de um acordo firmado em 2011 que previa 4% de aumento, incorporação da Gratificação Específica do Magistério Superior (Gemas) e a reestruturação da carreira de docente.