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CIDADES
Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2009, 21h:20

GREVE

Professores aprovam indicativo

RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário
Professores da rede pública de ensino do Estado aprovaram o indicativo de greve da categoria em assembleia geral realizada ontem pelo Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep), durante à tarde, no mesmo dia em que foi o aberto o novo ano letivo. Os professores devem votar se adotarão a paralisação, na prática, em nova reunião, no dia 9 de março. O indicativo de greve aprovado ontem foi provocado pela insatisfação dos professores com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) nas negociações, sem consenso, pelo reajuste do piso salarial. Os professores reivindicam aumento de R$ 966 para R$ 1.050. Desde novembro do ano passado, a categoria considera que tal majoração é possível, dado o desempenho da receita estadual. Somente na semana passada a secretaria apresentou proposta de reajuste do piso, no valor pretendido pelos professores, mas que passaria a valer apenas a partir de maio. No desdobramento, a assembleia de ontem foi marcada pela divergência entre os professores durante os debates abertos. As declarações inflamadas foram suscitadas pela polêmica fala de um representante da Escola Estadual Alexandre Francisco Ferreira Mendes, que leu um documento produzido por servidores da escola, que desconsiderou a legitimidade da atual direção do Sintep para conduzir as negociações. Junto à Seduc, a direção do sindicato teria contribuído com o boicote aos próprios movimentos grevistas em 2008, destaca o documento. “A atual formação do Sintep Central há muito deixou de se preocupar com os interesses da classe”, estampa a carta, assinada por 41 servidores da escola estadual. Para o presidente do Sintep, Gilmar Soares Ferreira, as divergências são previsíveis e naturais no espaço democrático do sindicato, mas também se devem à iminente troca na direção central, com processo eleitoral marcado para junho. “Todos têm liberdade de divergir, mas a categoria não pode negar que avanços aconteceram”, rebate o líder sindical. Sintep e Seduc negociam novo piso salarial para os professores desde o ano passado. O Sintep cobra à Seduc o cumprimento de acordo que prevê que o desempenho quadrimestral das receitas do Estado seja utilizado como referência para os reajustes nos salários da categoria. O acordo surgiu após uma greve de 29 dias, deflagrada no ano passado pelos professores. O secretário de Educação, Ságuas Moraes (PT), recebeu a notícia do indicativo de greve sem surpresa e afirmou que o diálogo com os professores continua na mesma linha. Após a majoração anunciada para maio, a receita estadual deve ser novamente analisada em setembro para se avaliar a possibilidade de novo aumento no piso.

Edição EDIÇÃO 16962




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