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CIDADES
Segunda-feira, 10 de Março de 2008, 22h:17

NAUFRÁGIO III

Professor se salva, mesmo sem saber nadar

Um dos passageiros, Alfredo Jorge, docente da UFMT, conseguiu sair do quarto quando percebeu a invasão da água e se agarrou ao mastro para sobreviver

KEITY ROMA
Da Reportagem
O barco que afundou no rio Cuiabá domingo carregava dez tripulantes e doze turistas, que eram amigos e amantes da pescaria. Seis deles continuam desaparecidos. O professor de física da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Alfredo Jorge, conseguiu sair do quarto da chalana e se salvar, mesmo sem saber nadar. A sensação de desespero do sobrevivente foi praticamente a mesma relatada pelo pecuarista Godoberto Dreher (ver matéria), sobretudo quanto à rapidez com que a água tomou a embarcação. O grupo de pescadores partiu de Porto Cercado sábado pela manhã e seguiria até a região do Piquiri para realizar a pescaria. Os planos eram de passar sete dias pescando no rio. “Jogamos truco e bozó à tarde, dividimos as equipes para jogar todos os dias”, relatou o sobrevivente. Segundo ele, o comandante da embarcação parou por volta de 19 horas, devido ao mau tempo. A chalana tinha um refeitório na parte de baixo, quatro quartos no piso acima e ainda a parte superior. Cada quarto seria dividido por três amigos. “Eu durmo de costas, acordei sendo jogado para o lado. Bati o rosto na janela e vi a água. Eu gritei para a gente sair dali, que o barco estava afundando. Fez um barulho, acho que a água entrou no gerador e ficou tudo escuro. Um dos meus companheiros de quarto bateu a mão na porta e abriu. No escuro eu entrei no banheiro e saí correndo. Gritei, entrei errado”, detalhou. Em menos de 30 segundos, a água teria tomado a embarcação. Alfredo subiu para o piso de cima no escuro, com a água pela cintura e segurou no mastro da chalana. “Fui subindo, porque não sabia nadar. Estou todo machucado. Fiquei segurando no mastro e um barquinho, que a gente usa para pescar, bateu e eu pulei nele”. Outros quatro amigos também conseguiram entrar no barquinho. Eles foram até a terra firme e, quando ouviram o canto de um galo, pela manhã, descobriram que estavam na fazenda Moreti e receberam socorro. Alfredo acompanhou as buscas durante o dia pelo hotel. “Eu não consegui ficar em casa. Fico pensando nos meus amigos. Me sinto impotente”, declarou.

Edição EDIÇÃO 16962




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