CIDADES
Sexta-feira, 13 de Julho de 2012, 22h:11
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ESTÉTICA
Problemas coletivos
Infecção de mulheres que se trataram em clínica de Cuiabá revela os riscos de se comprar tratamento pela internet
STÉFANIE MEDEIROS
Da Reportagem
O tratamento estético oferecido pela clínica Plena Forma, que culminou com a infecção de 22 mulheres, foi vendido através de um site de compras coletivas, com 89% de desconto. O anúncio oferecia 10 sessões em três tipos diferentes de tratamentos, que originalmente custavam R$ 1,2 mil e estavam sendo ofertados por R$ 139. Um dos procedimentos, chamado Manthus, é usado para eliminar a celulite e a gordura localizada. A descrição oferecida pelo site dizia que ele é não invasivo e indolor. No entanto, para a realização das sessões, é utilizada uma enzima, a Tiratricol, que é aplicada através de pequenas agulhas e atua diluindo a gordura, sendo, portanto, um tratamento invasivo. Não se sabe ainda se a infecção por bactérias multi-resistentes aconteceu devido aos produtos utilizados ou ao longo do processo de aplicação da enzima, através de equipamentos contaminados ou falta de treinamento adequado dos profissionais que realizaram as sessões. As mulheres que compraram as sessões apresentaram diversos sintomas, que incluem vermelhidão, nódulos, fístulas e inflamações. Segundo o coordenador da Vigilância Epidemiológica do Estado, Juliano Silva Melo, foi encaminhado um alerta ao Ministério da Saúde, que vai investigar qual foi a real causa da contaminação das pacientes e ficou de notificar ainda ontem as fábricas dos produtos. A assessoria do Ministério Público Estadual informou que será aberto um procedimento para ver se há ou não necessidade de uma intervenção, mas somente na área cível. A utilização de sites de ofertas e compras coletivas são cada vez mais comuns, porém não há nenhuma regulamentação para ter algum tipo de controle sobre o comércio eletrônico. Há projetos de leis que tramitam no Congresso, com o objetivo de complementar o Código de Defesa do Consumidor, incluindo nele o comércio eletrônico. Não é porque está em promoção que se deve comprar. O cuidado deve ser redobrado, principalmente quando a oferta é algum tratamento estético, que precisa de acompanhamento mais detalhado, disse Ivo Vinícius, gerente de fiscalização do Procon em Mato Grosso. Segundo ele, ainda não há regulamentação pra esse tipo de venda, por isso o indicado é sempre ter muita cautela com as promoções. É também o que recomenda a presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Dalva Alves das Neves. Segundo ela, quando alguém estiver procurando fazer um tratamento, mesmo que estético, que busque um profissional qualificado para realizar os procedimentos. As enzimas são liberadas em clínicas de estética, mas em qualquer procedimento, o mais adequado é procurar um médico, concluiu. A reportagem esteve na clínica ontem à tarde, mas ninguém quis se pronunciar.