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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 29 de Novembro de 2008, 12h:53

TERRA FRIA

Prejuízo de R$ 229 mi

Valor se refere à exploração ilegal de área de reserva na região de Vila Rica, por esquema de grilarem de terra

KEITY ROMA
Da Reportagem
O grupo preso durante a Operação Terra Fria, deflagrada sexta-feira pela Polícia Federal em Vila Rica, causou um prejuízo de mais de R$ 228,908 milhões com a exploração ilegal da principal área alvo de ação do bando, a Fazenda Califórnia. O valor é apontado por uma perícia do Ministério Público Federal (MPF), que destaca que o total, apesar de vultoso, ainda está subestimado. Com a exploração de madeira na área pertencente a outro proprietário, os criminosos teriam obtido R$ 156,431 milhões. O cálculo levou em conta o fato de que foram retirados da fazenda ilegalmente 1.339.310 metros cúbicos de madeira. Entre 2001 e 2007, 19,623 mil hectares haviam sido desmatados na reserva legal e área de preservação permanente de forma ilícita (ver matéria na B2). Já para a reparação ambiental e recuperação da vegetação estimou-se um custo de R$ 72,477 milhões. O valor do prejuízo causado pela quadrilha não contabiliza outros fatores, como o dinheiro que ela arrecadou mediante a venda de títulos frios de fazendas com matrículas “deslocadas” para dentro da Califórnia e os empréstimos tomados junto a instituições financeiras dando a fazenda alheia como garantia. Foram vítimas do bando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil. As investigações apontam que três pessoas, duas presas durante a operação e uma foragida - Lenira Carvezan Momo, Adriana Medianeira de Richi Momo e um homem - obtiveram diferentes empréstimos por meio de cédulas rurais utilizando os títulos fraudulentos que possuíam. Documentos apontam a realização de operações de crédito no valor de R$ 120 mil, e outros dois de R$ 88 mil e R$ 25 mil, além de uma hipoteca de R$ 1,2 milhão e uma averbação de R$ 206 mil. Além das fraudes comprovadas, o MPF suspeita que os irmãos do prefeito de Vila Rica e médicos, José Teodoro de Faria e Geraldo Teodoro de Faria, adquiriram imóveis fraudulentos com a mesma intenção. No total, 14 pessoas foram presas preventivamente anteontem, em Mato Grosso, Bahia e Goiás por envolvimento no esquema. Todas foram levadas para a Polícia Federal em Barra do Garças, onde prestariam depoimento. Trinta mandados de busca e apreensão foram expedidos, um deles para a casa do atual prefeito de Vila Rica, Francisco Faria. O acusado de ser o mentor da ação criminosa é o ex-prefeito de Vila Rica, Leonídio Benedito das Chagas. Leonídio liderava o esquema com a parceria do topógrafo João Sérgio Sturmer, proprietário de uma empresa de engenharia, que falsificava as plantas de localização de áreas rurais e as sobrepunha na fazenda Califórnia, mas com matrículas das propriedades originais. Para legalizar a fraude, eles contariam com a colaboração de servidores do Incra e de cartórios de Mato Grosso e Goiás, que ainda estão sob investigação. Após certificar os documentos frios, Leonídio vendia fazendas, em tese, regularizadas, e entregava aos compradores lotes da Califórnia. Com esses lotes, que na verdade pertecem a principal vítima do grupo, o real dono da propriedade, os compradores faziam empréstimos bancários dando o imóvel como garantia, o que indica que todos sabiam da ilegalidade que estavam cometendo. Para manter a ação do grupo, Leonídio adotava práticas violentas e ameaçava quem os denunciasse. Para isso, contaria com os serviços de pistolagem de Ailton de Paula Souza. Além dos já citados, também foram presos anteontem Hélio Garcia de Paula, Adilson Roberto Andrade, Idelbrando Joaquim de Souza, José Alves Fernando Filho, Eugênio Lima, Alcides Aguiar e Gilberto Lima. O MPF não descartou novas prisões.

Edição EDIÇÃO 16967




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