CIDADES
Quinta-feira, 26 de Novembro de 2015, 20h:44
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TAPURAH
Prefeitura tenta conter erosão gigante
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Passadas ao menos duas décadas, o município Tapurah (430 quilômetros ao norte de Cuiabá) ainda hoje tenta conter o avanço de uma erosão próxima à MT-338 (rodovia que liga Juara à BR-163, em Lucas do Rio Verde) e que possui aproximadamente um quilômetro de extensão e 100 metros de largura. Nesse período, além de buscar a ajuda do Governo do Estado, a administração municipal tentou nos últimos dois anos firmar um convênio com o Ministério da Integração, com o intuito de obter recursos da ordem de R$ 5 milhões. O dinheiro seria investido nas obras de contenção da cratera. Porém, conforme o prefeito da cidade, Luiz Umberto Eickhoff, o projeto foi suprimido por conta do corte de gastos anunciado no início deste ano pelo Governo Federal. A Prefeitura tem feito obras emergenciais, como o reflorestamento para diminuir os impactos, mas não tem condições financeiras para uma grande intervenção, disse. Essa é uma situação que vem de anos e precisa de uma solução, acrescentou. Segundo ele, o município já elaborou todos os estudos necessários para a realização da obra. Tem que ser feita uma intervenção com barragem, para conter a erosão, comentou. Uma das preocupações é que o buraco volte a comprometer o fluxo de veículos na MT-338, como aconteceu em 2003. Naquele ano, a MT teve o trânsito interrompido porque metade da pista desmoronou, deixando a estrada intransitável. À época, o problema ganhou destaque no Jornal Nacional, da Rede Globo. No mesmo ano, o DIÁRIO publicou a reportagem com o título Buraco pode engolir Tapurah, do jornalista Eduardo Gomes, mostrando que a região, uma das principais áreas da agropecuária mato-grossense, estava a um passo de ficar isolada do restante do estado por conta da erosão. De lá para cá, pouca coisa ou quase nada foi feito. Como há um grande volume de água, a cada chuva algumas partes não resistem e altera algo no local (desmorona), reconhece um funcionário da Prefeitura de Tapurah, que preferiu não ter o nome divulgado. Segundo a reportagem, o então coordenador estadual da Defesa Civil, Domingos Iglésias Filho (já falecido), revelou que o órgão estadual havia financiando a construção de um emissário e de obras de contenção do buraco, mas que as obras foram mal executadas. Os trabalhos teriam sidos executados pela Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra), que foi procurada para falar sobre o assunto, mas até o início da tarde de ontem não havia se posicionado. O problema surgiu quando o município tentou canalizar as águas das chuvas numa extensão de mil metros, da MT-338 até o córrego Corgão. O manilhamento foi curto e isso provocou a erosão causada pelas enxurradas. Hoje, o local, que possui solo arenoso, recebe praticamente toda a vazão de água da cidade.