CIDADES
Quarta-feira, 02 de Setembro de 2009, 09h:25
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SAÚDE PÚBLICA
Prefeitura anuncia acordo; médicos dizem que não
RENÊ DIÓZ E JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
A despeito da trégua anunciada na noite de ontem pela Prefeitura de Cuiabá sobre a crise entre a Saúde municipal (SMS) e médicos da rede pública, estão mantidos os pedidos de demissão em massa assinados por 23 dos 27 cirurgiões que atendem no Hospital Pronto-socorro Municipal de Cuiabá. Os pedidos foram protocolados ontem, quando o prefeito Wilson Santos também recebeu uma comissão dos profissionais. Contudo, segundo a categoria, o panorama de impasse não mudou e só deve ser resolvido numa nova reunião amanhã, diferente do que anunciou o município. Em nota, a SMS divulgou à imprensa que os médicos haviam acatado uma proposta do prefeito de suspender os pedidos de demissão de cirurgiões do HPSMC e de criar uma comissão para retomar as negociações, marcada para as 16h de amanhã no gabinete de Santos. Não é bem isso que os médicos anunciam. Após tomar conhecimento da nota divulgada, o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de Mato Grosso (Sindimed), Luiz Carlos Alvarenga, afirmou que pelo menos da minha parte, não houve acordo nenhum, referindo-se à suposta proposta acatada de suspender os pedidos de demissão. Além disso, Alvarenga afirma que até esperava que a prefeitura se utilizaria do artifício de descaracterizar o movimento dos médicos, como o fez divulgando um acordo inexistente antes da conclusão das negociações os médicos reivindicam tanto melhorias salariais (o salário-base não é reajustado há 10 anos, conforme eles) quanto de estrutura para trabalhar e de comunicação aberta com o secretário de Saúde Luiz Soares, considerado autoritário e acusado até de assédio moral. Uma comissão paritária será formada para discutir os pontos divergentes e encontrar uma solução para a crise na saúde. Nós vamos é sentar na mesa e estabelecer metas, resume Alvarenga. Os demissionários já não trabalham hoje, exceto aqueles que são concursados no município, cuja exoneração ainda tem de ser homologada. Já os que não pediram demissão integram movimento paralelo de paralisação, a ser iniciada na segunda-feira. Com a greve, serão mantidos somente os serviços de urgência e emergência. O atendimento ficará interrompido nas unidades básicas, como os centros de saúde e Programas de Saúde da Família (PSF). O município tem cerca de 800 profissionais, entre contratados e efetivos. Hoje, uma nova assembléia deve ser realizada, na qual médicos de outros setores devem apresentar pedidos de demissão, como espera o presidente do Sindimed. Ao observar que outros profissionais deverão assinar o pedido de demissão, a médica Eliana Carvalho lembra que 42 médicos de PSF assinaram um abaixo-assinado em que apontam os problemas e as principais reivindicações da categoria. IMPASSE Ontem pela manhã, médicos se reuniram para se manifestar no centro da cidade. Eles protestaram na frente do HPSMC, dirigiram-se para a Câmara de Cuiabá e para o Palácio Alencastro. No momento, a população já sentia indícios do caos que o impasse entre médicos e prefeitura pode gerar. A pensionista Lenil Assis Ferreira, por exemplo, não conseguiu assistência no HPSMC. Fiz a ficha, mas me falaram que não tem previsão de atendimento, disse, queixando-se de dores no peito. Um detalhe importante é que, segundo Eliana Carvalho, das 63 unidades de PSF, 10 estão sem médicos ou porque não tem ou porque estão de licença.