CIDADES
Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011, 21h:33
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DOM AQUINO
Prefeito é mantido
Com cinco votos favoráveis a 4, Eduardo Zeferino, acusado de molestar 5 crianças, segue seu mandato
FERNANDO DUARTE
Da Reportagem
Após 6h30 de sessão, o prefeito de Dom Aquino (166 quilômetros de Cuiabá), Eduardo Zeferino, teve a manutenção no cargo garantida com cinco votos a quatro dos vereadores do município. Acusado de pedofilia contra cinco crianças da cidade pelo Ministério Público Estadual, Zeferino teve seu destino político decidido ontem e comemorou, inclusive com foguetório, o resultado da votação. No dia anterior à sessão, a votação em favor de Zeferino era dada praticamente como certa, pelo menos na opinião do presidente da Câmara de Vereadores local, Osvaldir Martins. Ele havia dito, em entrevista ao Diário, que não existiam elementos palpáveis para a acusação contra o prefeito. A sessão foi iniciada às 16h, com a leitura do relatório final da Comissão Processante, que defendeu a saída imediata do republicano. Votaram favoráveis à cassação os vereadores Sérgio Ramos de Souza, presidente da comissão, Adelson Martins Coimbra, Carlos Alberto da Costa e Lázaro. Até ontem, havia cinco vereadores que defendiam a permanência dele no cargo, contrariando o parecer da relatoria da comissão. Ela foi criada para investigar as denúncias de abuso sexual supostamente cometida pelo chefe do Executivo contra cinco crianças que tinham de 5 a 11 anos entre os anos de 2005 e 2008. O republicano chegou a ser preso por 30 dias pelos crimes. O forte apelo popular pela cassação não foi suficiente para que acontecessem mudanças no cenário. A população estava presente na Câmara, lotando, inclusive, o lado de fora da Casa durante a votação. O presidente da comissão, Sérgio Ramos de Souza, já havia declarado que os vereadores que votassem contra a cassação do prefeito eram considerados suspeitos, já que foram os mesmos que o afastaram, em junho, por seis votos a três. Defensores da cassação argumentavam que o presidente da Casa tinha ligação com o prefeito e, por isso, mudou a data da sessão da próxima sexta-feira para ontem. Um dos argumentos da defesa é de que as acusações contra o prefeito aconteceram antes de ele assumir o cargo. Eduardo Zeferino foi denunciado pelo Ministério Público Estadual por atentado violento ao pudor, com base nas investigações dos delegados Vitor Hugo Teixeira e Fernando Pigozzi, de Campo Verde, o último responsável pela conclusão do inquérito. Na esfera judicial, o processo está em segredo de justiça. Zeferino é suspeito de realizar os abusos enquanto as crianças participavam de um programa social municipal. O crime de atentado violento ao pudor tem pena de 6 a 10 anos de prisão.