Prática de restringir pesca tem de se aliar à educação
DHIEGO MAIA
Da Reportagem
Canoas abarrancadas e pescaria de subsistência serão uma constante nos próximos quatro meses nos rios que compõem as bacias do Alto Paraguai e Amazônica. Neles, a pesca para fins comerciais está proibida desde ontem, devido ao período de defeso necessário para garantir a reprodução dos peixes. Na bacia do Araguaia/Tocantins a restrição teve início no dia 1º deste mês. A prática de restringir pesca nos rios de Mato Grosso ocorre desde 1977, mas se tornou constante a partir da década de 2000. De lá para cá, se percebeu que o simples ato de fiscalizar não é suficiente. Educar a população ao longo dos anos pode ser uma ferramenta eficaz para a consolidação do defeso. O problema é que a estrutura para gestão ambiental do Estado é incipiente. De acordo com a superintendente de Educação Ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Vânia Márcia Montalvão, a área conta com apenas 30 pessoas para gerir todo o sistema. Nós precisamos ter a priorização de todos os setores, afirma. Ela admite que muitas cidades do Estado podem ficar descobertas pelos programas ambientais durante o defeso. O Estado tem 141 municípios e nós temos 30 pessoas. A gente não vai conseguir atingir todos os municípios, revela. Ela aposta nas parcerias com empresas, escolas e colônias de pescadores para a multiplicação da consciência ambiental. Na bacia do Alto Paraguai, a educação ambiental vai se concentrar na comunidade do Praeirinho, bairro que surgiu há mais de 20 anos na margem do rio Cuiabá. Por lá, existe uma infinidade de pescadores tradicionais que trabalham de forma sustentável, porém, a comunidade é de longe o local com maior incidência de pesca predatória. A ribeirinha Acácia Cristina Moraes da Cruz, registrada há três anos em uma colônia de pescadores, revela o descaso da própria comunidade com o rio Cuiabá. Eu vejo rede e tarrafa direto por aqui, mesmo no defeso. Ela garante que sempre pescou de anzol e só vai entrar no rio para pescar os três quilos diários permitidos pela legislação. No Estado, outros 7 mil pescadores vão receber seguro-desemprego no período. Na prática, a comunidade vai passar por trabalho de campo que irá dimensionar se a degradação do rio está diretamente envolvida com as questões sociais. A ideia é transformar os moradores nos principais parceiros do rio. INÍCIO - O lançamento da campanha de defeso no Estado ocorreu ontem no Museu do Rio, no bairro Porto, em Cuiabá. O evento proporcionou palestras e oficinas para a sociedade a respeito da importância do proibitivo de pesca para a renovação dos cardumes. Quem for pego pescando pode ser multado e preso por até três anos.