CIDADES
Sábado, 20 de Setembro de 2008, 11h:42
A
A
SEM PERSPECTIVA
Poucas condições a idosos
Entre Cuiabá e VG vivem 400 pessoas em abrigos com mínima infra-estrutura, sem recreação e lazer
ALECY ALVES
Da Reportagem
Não há estudo local quantificando, mas estimativas apontam que em Cuiabá e Várzea Grande mais de 400 idosos vivem em abrigos com condições mínimas de infra-estrutura e sem atividades físicas, recreação, lazer e cultura. Nas dezenas de abrigos, a maioria de natureza filantrópica, portadores de transtornos mentais compartilham o mesmo espaço com deficientes físicos e idosos saudáveis ou portadores de patologias comuns do processo de envelhecimento. O Abrigo Bom Jesus, por exemplo, o mais antigo de Cuiabá com 80 anos de existência, é a residência de 127 idosos. Desse total, pelo menos 20 apresentam transtornos mentais graves, outros 40 usam cadeiras de rodas. A instituição tem capacidade para receber até 160 idosos, mas por falta de recursos para pagar funcionários, especialmente com formação na área da saúde, mantém parte das dependências ociosa. Em Várzea Grande, município separado da Capital somente pelo rio Cuiabá, o Lar Dona Bebé, o único abrigo de idosos da cidade, mantido parcialmente pelo município, atende mais que sua capacidade. Dispõe de 40 vagas, mas abriga 50. O prédio e a área em seu entorno seriam ideais, não fosse a falta de manutenção. As instalações elétricas são o exemplo dessa precariedade. A fiação está tão deteriorada que impede, por temor da sobrecarga vir a provocar curtos-circuitos, que alguns equipamentos elétricos e eletrônicos, como a geladeira doada por um visitante, sejam mantidos em funcionamento. Um estudo desenvolvido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Conselho Federal de Psicologia (CFP) em 22 instituições de longa permanência para idosos concluiu que o Brasil não possui infra-estrutura de abrigamento para sua população idosa. Cuiabá e Várzea Grande ficaram de fora dessa pesquisa, mas aqui os problemas são comuns aos apontados nesse relatório, entre os quais a superlotação e a falta de lazer. A diretora do Asilo Bom Jesus, Adeline Bazano de Magalhães, reconhece as deficiências, mas diz que a instituição não dispõe de recursos para contratar profissionais e manter a regularidade de atividades físicas, culturais e de lazer. Por causa disso, explicou Adeline, dependem dos voluntários, jovens e adultos das mais diversas áreas de atuação que, quando podem, vão até o abrigo conversar, cantar, dançar, rezar ou levar lanche para os idosos. Há dois anos, conta, conseguiram a cessão de dois fisioterapeutas, mas não obtiveram o mesmo resultado quando pediram o professor de educação física ao governo do Estado. Esse profissional seria tão importante quanto o fisioterapeuta, avalia. Do município, o Abrigo dos Velhos recebe mensalmente R$ 2,5 mil. Esse dinheiro, diz, é para atender os idosos encaminhados pela prefeitura por terem sido encontrados em situação de riscos nas ruas ou nas famílias. O promotor de Defesa da Cidadania, Alexandre Guedes, disse que falta uma política de fiscalização para levantar o número e as condições dos abrigos. Ele disse que instaurou procedimento e está investigando diversos lares que mantêm idosos e doentes. Ano passado, lembra ele, uma dessas casas foi fechada porque era clandestina e explorava os idosos e pacientes em tratamento médico.