CIDADES
Sábado, 28 de Agosto de 2010, 12h:26
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LAZER NA CAPITAL
Pôquer se consolida como preferência
Atividade abandona pecha de jogatina e vem ganhando cada vez mais adeptos na cidade. Há uma semana, Capital teve evento de maior expressão
Canastra, truco, bozó e demais jogos tradicionais têm rendido espaço notável no lazer dos cuiabanos para o sofisticado pôquer. O jogo de origem norte-americana já foi visto como mera jogatina, mas há uma semana teve realizado no Estado seu evento de maior expressão. Efeito da consolidação como esporte mental, é crescente a presença do pôquer no cotidiano de pessoas de todas as idades na Capital, que pode até vir a sediar uma etapa do torneio brasileiro oficial em 2011. Para o cuiabano, o pôquer virou uma realidade em jogos online, reuniões caseiras de amigos (que, muitas vezes, se conhecem pelo gosto comum em comunidades na internet) ou em torneios organizados que estão atraindo jogadores também do interior. No último final de semana, o maior já realizado em Mato Grosso o 2º Circuito Mato-grossense de Texas Holdem do Cuiabá Poker Tour (CPT) - reuniu num buffet cerca de duzentas pessoas de Cuiabá, Rondonópolis, Primavera do Leste, Sapezal, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Cáceres e Sinop. Todos, disputando mais de R$ 34 mil em prêmio. Desse total, quem levou a maior parte foi o gerente de lotérica Pedro Antônio Botelho de Campos, 22, e seu pai, juntos em respectivos segundo e primeiro lugar na classificação. Foram R$ 16 mil - parte já gasta na comemoração, diga-se de passagem conquistados graças à experiência diária que pai e filho têm com este jogo de 60% técnica e 40% sorte. Pedro aprendeu com o pai há cinco anos e há dois recebe amigos em casa para jogar toda quinta-feira, apostando ou não. Outra forma de jogar é em partidas online com pessoas de todo o mundo. Há dois anos, isso virou uma distração anti-stress para o advogado Rui Paulo Martins Abraço, 27, por pelo menos uma vez na semana. Ele, que não costuma jogar apostando dinheiro, encara o pôquer também como um exercício de paciência, lógica, probabilidade, matemática. É um jogo de inteligência que permite até visualizar os próprios erros. São essas rodadas na internet (ver matéria) que têm ajudado jogadores iniciantes a desenvolverem suas técnicas para encararem mesas reais e até apostadas em reuniões caseiras que, à medida em que se proliferam, acabam com o preconceito de jogo de azar antes voltado ao pôquer. De acordo com um dos organizadores do CPT, Ulisses Fitipaldi, 34, esse preconceito afetou durante muito tempo a imagem dos jogos, tanto que a Confederação Brasileira de Texas Holdem (CBTH) mantém em seu site uma seção especialmente dedicada a esclarecer a legalidade do jogo, antes mal visto em grande parte devido a uma de suas vertentes, o Game Cash. Segundo Fitipaldi, a pecha de viciante foi atribuída a este estilo de jogar porque, nele, permite-se apostar indefinidamente e existem pessoas que não resistem a essa possibilidade e jogam perigosamente. POPULARIZAÇÃO - Mas a internet tem um grande poder esclarecedor (ver matéria) e tem propagado mais o Texas Holdem, estilo consagrado como esporte mental por excelência, como o xadrez, e que só permite uma aposta fixa igual para todos. É o que tem levado à popularização vertiginosa do pôquer nos últimos dois anos. O CPT, por exemplo, antes consistia num grupo de amigos que se reunia em chácaras de conhecidos para jogar de forma amadora, conta Fitipaldi, na luta para promover o esporte desde 2006, quando conseguia reunir apenas 50 pessoas. Já o evento realizado no último final de semana foi o segundo que contou com patrocinadores e material de jogo profissional com regulamento e tudo, um investimento total de R$ 15 mil. A intenção é realizar mais um evento como aquele em novembro, com no mínimo 200 pessoas, consolidando o esporte em Cuiabá. Enquanto isso, o CPT estuda custos e estrutura para fazer de Cuiabá etapa do circuito nacional promovido pela CBTH.