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CIDADES
Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011, 20h:08

DEPENDÊNCIA QUÍMICA

População procura MP por estrutura

Moradores da região do bairro São Mateus, em Cuiabá, reclamaram, em audiência no Ministério Público Estadual, das deficiências estruturais e de recursos humanos dos serviços públicos que tratam de dependentes químicos. O encontro, que contou com a participação de cerca de 70 pessoas, foi conduzido pelo promotor de justiça Alexandre de Matos Guedes, que atua na Defesa da Cidadania da Capital. “É nosso dever ouvir a população para saber como estão sendo prestados os atendimentos nessa área. A questão do vício é um problema sério em qualquer comunidade e sabemos que o serviço ofertado pelo poder público tem muitas falhas e não atende a demanda”, afirmou o promotor. Durante a audiência, a presidente do Clube de Mães do Bairro São Mateus, Raimunda Cavalcanti dos Santos, relatou que as drogas já trouxeram muita tristeza para sua família. Seu filho de 28 anos é dependente químico há dez anos. “Precisamos muito de ajuda porque não dá para viver desse jeito. Já procurei o Sistema Único de Saúde, policlínicas e nada foi feito. Toda a família sofre com o vício do meu filho”, disse ela. A dona-de-casa Vivaldina Lopes Barbosa compartilhou, durante muito tempo, da angústia vivida por dona Raimunda. “Minha filha foi usuária durante muitos anos. Me dizia que ia ‘ali’ e voltava quatro, cinco dias depois. Fizemos uma peregrinação para encontrar ajuda e hoje, graças a Deus, ela não tem consumido drogas e espero que seja pra sempre”, contou. A presidente da Associação dos Moradores do Jardim Europa e vice-presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública, Rosa Barbosa, disse que a população carente sofre mais com a dependência de seus familiares. “O lugar mais barato para internar um usuário cobra um ‘sacolão’ ou um salário mínimo. E a maioria dos pais não tem como tratar os seus filhos porque não tem condição”. Além da deficiência nos serviços de atendimento aos dependentes químicos, os moradores da região leste de Cuiabá também reivindicaram investimentos na área de esporte, posto de saúde, creche e Conselho Tutelar. “Vamos dar encaminhamento a todos os pedidos que foram feitos pela comunidade desses bairros para tentar solucionar essas questões, principalmente as mais urgentes”, afirmou o promotor. Durante a audiência, os moradores também discutiram a implantação do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), que deverá ser instalado no Jardim Europa, bairro vizinho ao São Mateus. Uma parcela da comunidade apoia o Caps no local, porém muitos moradores rejeitam a ideia. “A decisão de ter ou não o Caps no bairro não vai contentar todo mundo, mas o Ministério Público ficará atento para que a população tenha atendimento e não seja prejudicada”, argumentou o representante do Ministério Público. (Com assessoria)

Edição EDIÇÃO 16967




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