CIDADES
Sábado, 25 de Setembro de 2010, 13h:17
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SERVIÇOS
População coloca bancos entre piores
Procon aponta instituições bancárias como 2ª líder no ranking de reclamações. Ainda assim, totalidade das insatisfações é desconhecida
ALECY ALVES
Da Reportagem
Quem nunca percorreu caixas-eletrônicos na tentativa de fazer um saque e só encontrou equipamentos em manutenção, fora do ar ou apresentando erro de leitura no cartão? Feliz daquele que não passou por essa e outras situações de estresse relacionadas aos serviços bancários, entre as quais longas filas, cobrança exorbitante de taxas ou dificuldade para cancelar um serviço concedido unilateralmente, ou seja, por decisão exclusiva do banco. Dados do Procon do Estado apontam, mais uma vez, os bancos entre os principais motivadores de queixas dos consumidores. Entre janeiro e agosto deste ano, 865 pessoas procuraram a sede do órgão para formalizar reclamações contra bancos. Em 2009, as instituições financeiras geraram 1.172 denúncias, conforme o Cadastro de Reclamações Fundamentadas disponibilizado anualmente pelo órgão. Esse cadastro é o único espaço onde se pode ver os bancos mais reclamados. Ano passado foram Banco do Brasil e HSBC. As instituições financeiras apareceram com destaque no ranking dos mais denunciados em segundo lugar, perdendo apenas para o setor de produtos, que é infinitamente maior por envolver lojas das diversas modalidades, desde roupas a eletroeletrônicos. Principalmente nos 10 primeiros dias de cada mês, período de maior circulação de dinheiro em virtude do pagamento dos salários dos aposentados do INSS e servidores públicos, além de filas é fácil encontrar nesses postos de auto-atendimento consumidores irritados porque não conseguem acessar o serviço. Mês passado, num único dia percorri quatro postos, do CPA ao bairro do Porto, e não consegui sacar meu salário, queixa-se a professora da rede estadual Maria Helena Pereira de Campos. Em um dos locais, observa, os caixas estavam com indicativo em manutenção. Já no outro o cartão apresentou erro de leitura em todas as máquinas. A professora diz que se sentiu desamparada, sem saber a quem recorrer, e a única alternativa foi esperar até a manhã do dia seguinte. Ela conta que não reclamou no Procn porque nem sabia o que alegar. A comerciária Graciele Vaz de Santana, 20 anos, viveu situação mais grave. A conta que ela havia aberto no banco exclusivamente para receber o salário acabou sendo transformada, sem o seu conhecimento, em conta-corrente comum. A partir daí, por dois meses teve de pagar diversas taxas. Conforme Graciele, foram tantos descontos e dificuldades para alterar a modalidade da conta que o caso acabou no órgão de proteção ao consumidor. Por muitas vezes gastei meu tempo de almoço na agência e sempre saia de lá sem uma solução, assinala. Ao apresentar o comprovante da denúncia feita no Procon ela conseguiu a alteração. A amiga de Graciele, Shirley Cristina Oliveira, ainda está brigando pela mesma razão. Não aguento mais pagar taxas numa conta que tenho somente para receber salário, diz.