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CIDADES
Segunda-feira, 17 de Maio de 2010, 20h:21

EXPLORAÇÃO EM VG

Polícia tenta identificar clientes

ADILSON ROSA
Da Reportagem
A Polícia Civil tenta identificar os empresários que participam de uma rede de prostituição infantil em Várzea Grande que transam com adolescentes a partir de 12 anos. Esses empresários se encontravam em festas realizadas pela jovem Bruna Regina de Oliveira, de 20 anos, que está com a prisão temporária decretada sob a acusação de agenciar as garotas. Até agora, policiais da Delegacia da Defesa da Mulher de Várzea Grande localizaram duas menores - uma de 14 e outra de 15 - que confirmaram a relação sexual. A delegada Juliana Palhares, responsável pelas investigações, acredita que esse número possa ser maior. “Conseguimos até agora, duas, mas é possível existir mais vítimas dessa exploração sexual”, frisou. Ela acrescentou que existem empresários - não citou a quantidade - envolvidos no esquema e são todos de Várzea Grande. “Mais de um, com certeza”, frisou. De acordo com as investigações, Bruna reunia seus clientes em festas realizadas em casas, chácaras e até motéis, num esquema considerado sigiloso. A delegada adiantou que, se for comprovado que os empresários levaram as meninas para motéis, os gerentes e proprietários desses estabelecimentos serão chamados para prestar esclarecimento e poderão ser indiciados. As maiores dificuldades em relação às duas meninas que prestaram depoimento é que elas não lembram nomes dos homens com quem mantiveram relação sexual. Elas não relevaram quantos programas fizeram. Os policiais descobriram que as meninas ficavam com pouco dinheiro - entre R$ 10 e R$ 20 por programa. Bruna, por sua vez, tem um padrão de vida baixo para quem lucraria com o esquema, levantando a suspeita de uma segunda pessoa que ficaria com o dinheiro. Embora Bruna tenha negado tudo em depoimento, a delegada Juliana Palhares explicou que existem provas suficientes que apontam o agenciamento. Bruna é paranaense de Maringá, mas foi criada em Mato Grosso, segundo a delegada. Ela saiu algemada e chorando da Delegacia da Mulher para ficar detida na Delegacia do Parque do Lago e não quis dar declarações. Entretanto, seu advogado, Breno Ferreira Alegria, criticou o inquérito policial, afirmando que a prisão de sua cliente “parece um erro de interpretação”. Isso porque Bruna seria a única garota maior de idade num ambiente onde só havia menores, explicou Alegria, referindo-se à classe em que Bruna estudava - ela abandonou os estudos, mas não deixou de sair com as colegas para bares e festas. Nesses locais, se ocorria a prática de prostituição, Alegria defende que Bruna não tinha conhecimento de qualquer esquema, não participava e tampouco tinha poder para impedir qualquer coisa. Ele afirma que conhece a família da cliente, que são pessoas de bem e sugeriu que, por um golpe de azar, Bruna foi parar na delegacia.

Edição EDIÇÃO 16962




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