CIDADES
Sexta-feira, 17 de Junho de 2011, 20h:28
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VÁRZEA GRANDE
Polícia contém invasão de grileiros
Área privada na saída para Jangada era desmatada por invasores, supostamente motivados por parlamentar da cidade, com trator e facões
Homens da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Guarda Municipal de Várzea Grande e da Defesa Civil impediram, na manhã de ontem, uma invasão de grileiros numa área privada na região da saída para Jangada. Quatro viaturas e sete homens foram ao local por volta das 6 horas, quando o grupo de grileiros já havia demarcado quase 700 lotes. A área estava sendo desmatada com facões e por um trator, que foi retido. Também foram apreendidos uma moto e quatro carros dentre eles um Peugeot 206, uma Montana e um Prisma que pertenciam à parte dos grileiros e estavam com documentação atrasada. O homem que operava o trator, identificado apenas como Marcão, teria inclusive morrido após passar mal quando foi flagrado pelos guardas municipais. A informação da morte dele não foi confirmada. Ninguém foi preso. Os grileiros revelaram que chegaram ao local a bordo de dois ônibus providenciados por um vereador de Várzea Grande ligado a um ex-presidente do bairro Jardim Eldorado. Muitas das famílias foram convencidas de que a área era de uma imobiliária falida de São Paulo, como conta Raimundo Meireles, 69, que pretendia construir no local um abrigo para ele, sua mulher e outras cinco pessoas da família. Mesmo após a chegada da Guarda Municipal para impedir a invasão, alguns dos grileiros continuaram no local, desmatando os lotes demarcados com sacolas e cordas amarradas em galhos de árvores. Eu tenho 42 anos e dois filhos, o que vou deixar para eles? Só tenho isso aqui, indignou-se Sônia Ambrósio, moradora de Várzea Grande, reclamando que mora de favor num bairro sem água, esgoto, segurança, eletricidade, serviços básicos. Ela afirmou que é melhor começar do zero naquela área que continuar onde está. Grileiros como Sônia, que atualmente vivem em condições precárias e que realmente necessitam de um teto, serão todos cadastrados pela prefeitura de Várzea Grande no programa federal Minha Casa, Minha Vida, como assegurou o secretário da Agência de Habitação de Várzea Grande, Aparecido Reginaldo Rodrigues. Porém, essas pessoas representariam uma minoria dos invasores de ontem, segundo ele. Oitenta por cento deles não precisa de casa, afirmou, mencionando que estas pessoas terão seus nomes repassados ao Ministério Público. Ele esclareceu que a área invadida é um loteamento de um empresário e comentou que a invasão foi muito bem organizada e até informada à prefeitura na segunda-feira. Para despistar as autoridades, os grileiros informaram que ocorreria em um outro ponto de Várzea Grande, mas isso não foi suficiente para o êxito da invasão na manhã de ontem.