CIDADES
Quarta-feira, 20 de Abril de 2011, 20h:16
A
A
CONFIANÇA
Poderes desacreditados
Executivo e Legislativo, assim como políticos e associações de bairros, caem cada vez mais no desagrado do povo cuiabano
ALECY ALVES
Da Reportagem
Os poderes Executivo e Legislativo, as associações de moradores de bairros e os partidos políticos são as instituições menos confiáveis para os cuiabanos. No quesito desconfiança, essas organizações só perdem para os próprios políticos, conforme dados divulgados ontem pelo Instituto Vetor, dentro da pesquisa Nossa Casa. Os políticos ficaram na lanterna, com apenas 29,5% de confiabilidade. E mesmo aparecendo na última colocação, conseguiram perder para eles próprios, ou seja, cair 1,7 pontos percentuais em relação ao resultado da avaliação anterior. Em 2009, 31,2% dos entrevistados declaram que confiam na classe política. No caso da prefeitura, chama atenção a queda de 10 pontos percentuais na confiabilidade da população. Em 2009, 51,3% responderam que confiam no Executivo municipal. Este ano, porém, apareceu na 20ª colocação entre as 22 instituições listadas. Nunca, desde que o Instituto lançou a modalidade de pesquisa, o Executivo esteve tão em baixa. Em 2005, era considerado confiável para 69,8%. Já Câmara de Vereadores, que este ano alcançou 43,1% de confiança, historicamente aparece com um desempenho que oscila entre 39,6% (2003) e 49% (2007). A Assembleia Legislativa e, óbvio, os legisladores estaduais, também permanecem entre os menos confiáveis, apesar de apresentar melhora. Enquanto em 2003 seriam confiáveis para 40,6%, agora se apresentam com mais crédito, 51,9%, praticamente o mesmo índice de 2009, quando registraram 51%. Nas associações de moradores, menos da metade dos entrevistados, 49,5%, confiam. Nos partidos políticos, item que começou a ser pesquisado este ano, portanto não tem comparativo, apenas 30,5% dos ouvidos pela pesquisa responderam que confiam. A lista das sete instituições mais confiáveis, como é subdividida a pesquisa, não mudou. Em primeiro lugar permaneceu o Corpo de Bombeiros, com 95,5% de confiabilidade, seguido da família, que se manteve no patamar dos 95,4%. As escolas/universidades, Exército, igreja e Procon também gozam de índices confortáveis de respeito e confiança, que variam de 88% a 84%. Apenas a igreja apresentou uma queda considerável, de 6,7 pontos percentuais na comparação com o índice de 2007, despencando de 90,6% para 84,9%. O Ministério Público, inserido no estudo em 2007, vem se mostrando mais confiável. De 67,6% no primeiro ano, saltou para 80,6%. Isso ocorre, avalia a coordenadora do Vetor, Mirian Braga, na medida em que o órgão vai se tornando mais conhecido por sua atuação. O Judiciário vem apresentando uma melhora gradativa. Subiu de 70% na pesquisa anterior para 74,2%. Em 2003, era confiável para 61,2%. Para o sociólogo João Edisom Sousa, as instituições públicas e os políticos que as dirigem, assim como os partidos, ainda estão sendo vistas com bons olhos pela população. Isso, diz, porque põem a vida particular, o próprio conforto, acima do interesse público.