A Polícia Militar iniciou ontem a operação de despejo de aproximadamente 100 famílias que ocupavam a fazenda Santa Rosa I, na região de Sorriso. A reintegração de posse da área de aproximadamente 50 mil hectares já havia sido determinada desde 2008. A última decisão desfavorável aos acampados foi dada com a cassação da liminar que permitia a manutenção deles no local, pelo desembargador José Silvério Gomes, no início do mês. Para evitar um confronto, um acordo foi feito dando prazo de cinco dias para que as famílias deixem a área pacificamente. Inicialmente a intenção das pessoas era apelar para a força, mas nós conseguimos convencê-las de que não era possível, conta o coordenador do Movimento Sem Terra (MST), Marciano da Silva. Segundo ele, os produtores despejados devem ser abrigados num ginásio de esportes localizado no distrito de Boa Esperança. A principal preocupação é quanto à capacidade do prédio. Achamos que não vai caber todo mundo, afirma. O coordenador diz ainda que as famílias não têm para onde levar os animais de suas propriedades. A estimativa é que pelo menos 250 cabeças de gado fossem criadas na fazenda invadida, além de suínos e aves. Não sei como vai ser se forem mesmo obrigadas a retirá-los de lá. É possível que fiquem todos soltos. Silva adianta que o MST já ingressou com um recurso para tentar reverter a decisão do Tribunal de Justiça. A área é alvo de disputa judicial desde 1998. A Santa Rosa I teria sido ocupada pouco tempo depois que a Santa Rosa II foi desapropriada pelo Incra. (LN)