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CIDADES
Segunda-feira, 14 de Março de 2011, 20h:30

FARDA PESADA

PM já excluiu 19 infratores este ano

Com mais 12 que já estão aptas à publicação, total de expulsões supera ano anterior inteiro e se equipara a 2009, em apenas 3 meses de 2001

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
A Polícia Militar excluiu seis soldados de seus quadros na última semana. Publicadas na edição de sexta-feira do Diário Oficial do Estado (DOE), as exclusões de policiais no Estado somente este ano agora somam 19, sendo que outras 12 já foram decididas pela cúpula da PM e só aguardam ser devidamente publicadas. Os motivos para as exclusões chamam atenção pela violência e ousadia atingida pelos policiais ao agir como meros bandidos. Em menos de um trimestre, o número de exclusões já supera o total do ano passado (16 exclusões) e se equipara ao de 2009 (32). Dentre as razões estão transgressões disciplinares e crimes como homicídio e extorsão. Segundo o corregedor-geral da PM, coronel Joelson Sampaio, as exclusões estão se acelerando por causa do próprio esforço da PM em eliminar entraves nos processos administrativos. O primeiro excluído é o soldado Valdei Lopes do Nascimento, por conta de um homicídio ocorrido em 2007 no distrito de Jarudore, Poxoréu (a 251 Km de Cuiabá). Na noite de 17 de março, ele e um colega estavam a bordo do carro da polícia e pararam perto da casa de Elenilson Figueiredo Batare, para quem pediram água para o radiador do carro. Quando Batare voltou, foi atingido por três disparos de Valdei, depois reconhecido pelo irmão da vítima. Outro caso que ganhou ressonância e que agora resultou em exclusão foi a participação do então soldado Mário Jorge Procópio Júnior no grupo que sequestrou o comerciante Josemar Bach, em setembro de 2009. A intenção do grupo era receber uma dívida de R$ 130 mil que a vítima estava para pagar a uma empresa paranaense. Bach foi sequestrado no Pedra 90 e levado a um cativeiro, onde ficou com uma escopeta apontada para a cabeça. Ele negociou e foi posto em liberdade para providenciar o pagamento da dívida, mas procurou a polícia, que prendeu os sequestradores em flagrante no estacionamento do Atacadão, no Tijucal, onde havia sido marcado o encontro para o pagamento. Procópio foi para o presídio militar de Santo Antônio de Leverger. Ele foi um dos inúmeros PMs processados administrativamente que se aproveitaram dos atestados falsos de doença mental supostamente vendidos pelo psiquiatra Ubiratan de Magalhães Barbalho, a fim de protelar o processo. Já a razão da saída do soldado Sérgio Cunha Cabral, que era policial desde 2003, chama atenção pela petulância. Conforme seu histórico de transgressões disciplinares, Cabral chegou a ser detido por ter realizado uma festa dentro da Cadeia Pública de Vila Bela da Santíssima Trindade, com direito a churrasco e bebida alcoólica para os detentos. O mesmo soldado uma vez fugiu de uma abordagem do Grupo Especial de Fronteira na fronteira com a Bolívia e já fora excluído da PM por fraudes e estelionato, mas a Justiça o deixou retornar. Agora, foi excluído pelo peso de seu histórico, tal como seu parceiro Fernando Carlos Barbosa, que, entre outras condutas, chegou a ser flagrado bêbado em seu posto de serviço, nos degraus da escola Liceu Cuiabano. A dupla também foi flagrada aparentemente cobrando propina de um motorista com documentação atrasada para não autuá-lo. Os demais policiais com nomes publicados no DOE são acusados de porte ilegal de arma, consumo de entorpecente e tentativa de homicídio (Thiago Bonna dos Santos) e transgressão militar (Jean Carlos Ferreira Batista).

Edição EDIÇÃO 16962




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