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CIDADES
Sábado, 30 de Junho de 2012, 17h:49

ENSINO SUPERIOR

Plágio em trabalhos acadêmicos enfraquece pesquisa

LAURA NABUCO
Da Reportagem
Preocupado com casos de plágio em universidades por todo o país, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) recomenda que todas as instituições de ensino superior, públicas e privadas, adotem políticas de conscientização e procedimentos para inibir o popular “control C” e “control V”, como ficou conhecido o hábito de copiar textos alheios após o advento da informática. A rede mundial de computadores é apontada, justamente, como principal vilã pelo presidente da Comissão de Direito Autoral e Propriedade Intelectual da OAB em Mato Grosso, Geraldo Macedo. “O pessoal acha que internet é terra de ninguém”. Se de um lado a facilidade de acesso a trabalhos acadêmicos de várias partes do país, e até mesmo do mundo, auxilia a busca por fontes aos alunos; de outro, dificulta o controle, por parte dos professores, do material que serve de “inspiração” aos graduandos. O resultado é o aumento na quantidade de casos de plágio que, muitas vezes, sequer são identificados, além do enfraquecimento da pesquisa acadêmica. “É algo que passa pela conscientização, afinal o aluno está na universidade para aprender”, avalia Macedo. Para o advogado, as instituições de ensino precisam ter um setor específico para identificar as cópias. O principal problema, segundo ele, está em relação aos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), que têm como requisito a originalidade. Na Universidade Federal de Mato Grosso (UMFT), uma comissão formada por professores é montada a cada suspeita, conforme o pró-reitor de Pesquisa, Adnauer Daltro. A identificação do suposto plágio, no entanto, passa primeiro pela banca avaliadora de cada monografia. Uma vez constatada a cópia de um trabalho já existente, o aluno, que antes da apresentação do TCC assina um termo de responsabilização, é submetido a sanções que vão de simples advertência à expulsão. Diogo Souza, 23 anos, aluno do curso de Administração da Universidade de Cuiabá (Unic), acabou impedido de pegar o diploma devido uma acusação de plágio. Ele afirma que o problema foi causado pela falta de assistência da professora que orientou sua pesquisa. “Claro que não fui a única pessoa do mundo a escolher aquele tema. Peguei várias referências na internet, mas em nenhum momento fui orientado de que minha monografia estava errada”, defende-se. Para Daltro, a interferência do orientador é fundamental nestes casos. “Afinal ele também é co-autor do trabalho e responsável pelo conteúdo”. O pró-reitor afirma que a identificação do plágio é muito mais fácil para o profissional que acompanha a pesquisa desde o início. “Geralmente ele é especialista no assunto, tem conhecimento do que já foi feito na área e de quem escreveu”, explica. As penalidades aos professores orientadores nos casos constatados de plágio, contudo, ainda estão sendo debatidas pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da UMFT. “A expectativa é que o texto final seja apreciado dentro de dois meses”, adianta Daltro.

Edição EDIÇÃO 16967




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