CIDADES
Sexta-feira, 31 de Julho de 2015, 08h:40
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JUSTIÇA
Pistoleiros negam participação em crime
YURI RAMIRES
Da Reportagem
Acusados de participação na morte de Fauze Rachid Jaudy e Rivelino Jacques Brunini, além de uma tentativa de homicídio, o uruguaio Júlio Bachs Mayada e ex-policial militar Célio Alves de Souza negaram qualquer participação no crime. Bachs e Célio sentaram no banco dos réus ontem, no Tribunal do Júri, em Cuiabá. Com eles, seria julgado também, João Arcanjo Ribeiro, mas seu júri foi adiado para setembro. Em depoimento à juíza Mônica Catarina Siqueira Perri, Bachs confirmou que trabalhou no esquema de caça-níqueis em Cuiabá na época do crime. No entanto, relatou que só encontrou com o ex-cabo Hércules Araújo Agostinho quando ambos estavam presos. Hércules já está condenado pela Justiça por ter sido o autor dos homicídios e das tentativas em 2012. Ele pegou 42 anos de prisão. Quando questionado pela juíza sobre sua relação com João Arcanjo Ribeiro, Bachs afirmou que era meramente profissional e que em menos de um ano na cidade desde que chegou até a data do crime não tinha uma relação solidificada para ser acusado de capanga do ex-bicheiro. Questionado sobre a relação com Brunini, Bachs afirmou que não tinha uma boa relação com ele. Vou falar coisas que a família dele não vai gostar, mas ele não tinha uma boa conduta profissional. Era mentiroso, chato e difícil, disse. A juíza ainda questionou quem seria papai do céu, citado em diversas anotações. Segundo ela, poderia se tratar de João Arcanjo. No entanto, ele negou e disse que era um apelido do sargento da PM José Jesus, morto em 2002. O questionamento da juíza vai de encontro com anotações feitas pelo uruguaio e encontradas no mesmo ano das mortes, após uma busca e apreensão na casa do réu. A negação também veio no depoimento de Célio Alves. Ele afirmou que não tem qualquer envolvimento no crime ou em negócios com Arcanjo. Segundo ele, seu nome só foi parar no processo por culpa de uma briga pessoal com Hércules. Na visão do réu, o ex-cabo é um mentiroso crônico, que o acabou colocando nessa situação. Os dois ainda respondem pela tentativa de homicídio à Gisleno Fernandes. Ele era para ser morto a mando de Arcanjo, mas conseguiu sobreviver mesmo baleado. No dia do crime, ele informou que o assassino estava com a farda Polícia Militar e pilotava uma motocicleta. Ele não citou a possível participação de Célio e Bachs no crime. Fauze Fachid Jaudy Filho e Rivelino Jacques Brunini foram mortos em 2002 na Avenida Historiador Rubens de Mendonça. Ambos tinham participação no esquema de caça-níqueis comandado por Arcanjo. O júri que começou por volta das às 8h da manhã de ontem não havia sido encerrado até o fechamento da edição. Familiares das vítimas estavam no local, mas preferiram não conversar com a reportagem.