Os pilotos americanos Joseph Lepore e Jan Paladino, denunciados por envolvimento no acidente entre o jato Legacy 600 e o Boeing 737-800 da Gol, não pretendem comparecer ao interrogatório marcado pela Justiça Federal de Sinop (500 quilômetros ao norte de Cuiabá). A informação consta de matéria veiculada na edição de ontem do jornal Newsday, de Long Island (Nova York) onde fica a sede da empresa ExcelAire, proprietária da aeronave que sobreviveu à colisão. Juntamente com outros três controladores, Lepore e Paladino foram denunciados pelo Ministério Público Federal por expor aeronave a perigo, na modalidade culposa sem intenção de causar dano. Eles teriam desligado involuntariamente o sistema anti-colisão do jato. Ao jornal, a defesa dos pilotos disse que a sessão marcada para o dia 27 de agosto não tem amparo nos acordos jurídicos entre o Brasil e os Estados Unidos. Citando o advogado Joel Weiss, o jornal aponta que o atual tratado de extradição não se aplica às acusações. Nós queremos contar nossa história, mas de acordo com procedimentos brasileiros normais, que permitem que o testemunho seja dado no local em que estão os acusados. Em seu despacho, o juiz federal substituto da Vara de Sinop, Murilo Mendes, avaliou esta possibilidade como inadmissível. Segundo ele, o retorno dos pilotos está amparado no Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal (MLAT) e em decisão anterior do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Weiss informou que nenhuma ordem judicial chegou aos EUA até o momento. Quando chegar, ele já adiantou que pretende recorrer às mais altas cortes para não permitir o retorno dos pilotos. Segundo ele, Lepore e Paladino estariam dispostos a falar à Justiça brasileira, mas por meio de depoimentos escritos, gravações em vídeo ou de um questionário enviado aos Estados Unidos.