CIDADES
Quinta-feira, 17 de Maio de 2007, 21h:17
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OPERAÇÃO MAPINGUARI
PF prende proprietária rural no Paraná
Número de presos durante a operação chega a 31. Onze acusados foram interrogados ontem em Sinop e advogados já pediram habeas corpus
TAUANA SCHMIDT
Da Reportagem/Sinop
A Polícia Federal prendeu ontem a proprietária rural Aldrey Tachibana Vicentini durante a Operação Mapinguari, em Londrina no Paraná. Com isso, o número de presos por crimes ambientais chega a 31, de acordo com assessoria de imprensa da PF. Aldrey é acusada, conforme os documentos carreados pelo Ministério Público Federal, de ser responsável pela invasão, ocupação e exploração ilegal da madeira na área protegida do parque. A operação foi deflagrada na quarta-feira pela Polícia Federal e o Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis e Meio Ambiente (Ibama). Onze pessoas já foram ouvidas em depoimento ontem, em Sinop, sendo quatro mulheres e sete homens. Os outros 14 presos na região devem ser ouvidos hoje. Segundo informações do agente Idoriel Gomes, que faz parte da coordenação da equipe da operação, muitos presos pediram habeas corpus para serem liberados antes dos cinco dias de prisão provisória decretados na denúncia. Os pedidos foram feitos à Justiça Federal de Sinop e foram encaminhados para a 1ª Vara de Cuiabá. Hoje deve sair o resultado, explicou. Ainda ontem, agentes da Polícia Federal fizeram um trabalho técnico de medição da madeira apreendida e protocolação de maquinários, armas, caminhões e carretas apreendidos. Nove madeireiras foram fechadas. A base da operação foi Sinop e mais de 200 oficiais da Polícia Federal participaram da ação. As investigações dos crimes estavam sendo feitas pelo Ibama e a PF há 10 meses e apontaram que a área devastada, mostrada em satélite, equivale a 850 hectares, ou 34 mil metros cúbicos de toras, a maioria da espécie itaúba. Outras pessoas foram presas nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Goiás. Ao todo, foram expedidos 47 mandados de prisão temporária e 57 mandados de busca e apreensão contra empresários, madeireiros, proprietários rurais, grileiros, índios, técnicos, consultores ambientais e servidores públicos do Ibama e da Secretaria Estadual do meio Ambiente (Sema), envolvidos em crimes contra o meio ambiente e a administração pública, extração, transporte e comercialização de madeira da reserva indígena e exploração ilícita das florestas do Parque Nacional do Xingu. Ainda não foram presos Reonildo Daniel Prante, Gilmar Meyer, Fabio Jean Ludke, Carlos Henrique Bernardes, Vilmar Ramos de Meira, Célia M. Pereira de Carvalho, Custodio Bona, Ana Bona, Altair Bona, Ângelo Humberto Faganello, Sergio Edgar Zimmerman, Leandro Balin, Sueli dos Santos e os índios Gaúcho Trumai, Hulk Trumai, Itaqui Trumai, Mirim Trumai e o engenheiro agrônomo do Ibama, Gleyçon Benedito de Figueiredo, acusado de cometer fraude nos projetos de manejo florestal do Ibama, que foi procurado e não sendo encontrado, comunicou pelo seu advogado que se apresentaria, mas ainda não o fez. Ele já havia sido preso na Operação Curupira, em 2005, e agora responde como fugitivo da justiça, já que tem conhecimento de que é procurado. No primeiro dia da operação, o cacique da tribo trumai, Ararapan Trumai, e seu filho, Maite Trumai, foram presos pela Polícia Federal. Eles estariam autorizando a extração de madeira dentro do Parque do Xingu, onde a etnia tem cerca de 150 representantes, divididos em três aldeias. Em Cuiabá, não houve novidades sobre a prisão do quarto envolvido no esquema cujo mandado de prisão deveria ter sido cumprido ainda na quarta-feira. Na Capital, duas pessoas foram presas, e o terceiro mandado direcionado a alguém da cidade foi cumprido no interior.