CIDADES
Quarta-feira, 21 de Novembro de 2012, 20h:48
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MARÃIWATSEDE
PF descarta conflito
Relatório da Polícia Federal afirma que situação em Alto Boa Vista está controlada e que maioria da população se resignou
LAURA NABUCO
Da Reportagem
Resignada com a situação. Foi assim que o relatório da Polícia Federal classificou a maior parte da população que reside no distrito de Posto da Mata, em Alto Boa Vista (distante 1.064 km de Cuiabá), quanto à decisão judicial pela desintrusão da área demarcada como propriedade dos índios Xavantes. Apesar de reconhecer a existência de um grupo resistente à determinação de sair do local, a PF descarta a possibilidade de um conflito armado na região ou da necessidade de uso da força para desocupar os 165 mil hectares destinados à etnia pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Esse discurso é propagado pelas lideranças e não corroborado pela população em geral, diz trecho do relatório, que aponta que a maior parte dos moradores apresenta apreensão quanto a seu destino, mas já está em processo físico e psicológico para a desocupação. Membros da Associação de Produtores Rurais da Gleba Suiá Missú (Aprossum), por sua vez, afirmam que a maior parte da população deve resistir à ordem de retirada. Advogado da entidade, Luiz Alfredo Feresin, já orientou pela retirada pacífica. Ele mesmo, no entanto, relata dificuldades para convencer algumas pessoas. As notificações judiciais no distrito tiveram início no dia 16. No decorrer do processo, que durou dois dias, os moradores tombaram uma caminhonete da Força Nacional de Segurança e atearam fogo na antiga cadeia pública do distrito. No relatório, apenas a investida sobre a caminhonete foi registrada. A PF atribuiu o ato a um pequeno grupo que visava incitar a violência na população. A presença da imprensa no local, em especial a equipe da filiada local à Rede Globo, também foi apontada como catalisador da violência propagada por elementos isolados. Aproximadamente 310 residências e 70 pontos de comércio foram identificados pela PF no distrito. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no entanto, já identificou cerca de 400 famílias que vivem no local e têm perfil para receber terras em assentamentos rurais. Já a Aprossum afirma que pelo menos 700 famílias vivem no Posto da Mata. Hoje, uma comissão composta por deputados federais e estaduais deve vistoriar a área a ser desocupada. Produtores preparam um abaixo-assinado para entregar aos parlamentares. A visita foi repudiada por um grupo de nove organizações não governamentais, entre elas o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a Operação Amazônia Nativa (OPAN), que classificaram a iniciativa como um abuso das instâncias parlamentares de Mato Grosso. Em nota encaminhada à imprensa, elas alertam sobre o risco de que tais reuniões e vistorias sejam na verdade ações para incentivar a violência e a desobediência contra a decisão do STF.