A Polícia Federal (PF) começou ontem a ouvir os responsáveis pela empresa Abelha Táxi Aéreo e o piloto Cleymer de Souza Portela, 60 anos, seqüestrado logo após decolar comandando a aeronave Sêneca PTEZC, agora desaparecida, do aeroporto de Rondonópolis na última sexta-feira. A princípio, a PF informou que o inquérito tratará o caso como de roubo da aeronave para uso no tráfico de drogas. Durante a tarde de ontem, o delegado Fernando Salomão iniciou as investigações, que têm 30 dias para serem finalizadas - mas que não são urgentes para a PF. A Polícia Civil também investiga o caso e ainda ontem também devia ouvir o depoimento do comandante Cleymer, que voltou a Cuiabá depois de passar três dias desaparecido. Cleymer foi abandonado na Bolívia, em San José de Chiquito (400 km de Corumbá-MS). Cleymer levantou vôo em Rondonópolis por solicitação de um advogado que o mandou levar o filho de um fazendeiro mato-grossense, cliente seu, até Cáceres, mas podendo passar antes por Cuiabá. O advogado ainda teria explicado que, embora a fazenda ficasse em Pontes e Lacerda, o fazendeiro preferia encontrar o filho em Cáceres. O delegado Luciano Inácio da Silva já adiantou que o suposto cliente teria simulado o fretamento do avião em Rondonópolis. O piloto teria sido dominado durante o vôo e obrigado a levar o avião até a Bolívia. Lá, outros passageiros podem ter sido pegos durante o percurso aeronave tem capacidade para seis pessoas e vale mais de R$ 300 mil. Deixado na Bolívia, o próprio comandante teria ligado para a empresa de táxi aéreo informando que havia sido solto e que estava bem de saúde, embora não soubesse mais do paradeiro da Sêneca. Ele tomou um táxi até Corumbá para apanhar um avião da empresa. Enquanto isso, a polícia já produzia um retrato-falado do homem que embarcou no avião comandando por Cleymer. Outra linha para se chegar ao seqüestrador era por meio das informações de funcionários do aeroporto.