CIDADES
Terça-feira, 09 de Junho de 2009, 22h:19
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FRONTEIRA BRANCA
PF chega à atuação do PCC na fronteira
Birosca, preso em SP, comandava remessas de pasta-base da Bolívia através de Mato Grosso. Operação acaba com 28 presos no Estado e 44 no país
RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário
Um dos líderes do crime organizado em São Paulo está diretamente ligado ao narcotráfico da fronteira entre Mato Grosso e Bolívia. Isto foi revelado na última operação da Polícia Federal na região, chamada de Fronteira Branca e deflagrada ontem, após três anos de investigações e diversas ações repressivas. Edilson Borges Nogueira, 33 anos, o Birosca, estava entre os alvos de 72 mandados de prisão preventiva expedidos do Estado para todo o país. Ele comandava parte do tráfico na fronteira, de dentro de um presídio em São Paulo. Birosca é um os líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das principais facções criminosas de São Paulo. Ele comandava por celular as compras de drogas de fornecedores bolivianos, atuantes na região de San Matias, cidade vizinha de Cáceres (a 250 quilômetros a oeste de Cuiabá). Antes das investigações começarem, ele já estava preso em um presídio de Presidente Bernardes (SP). Depois, ele foi transferido para o de Presidente Venceslau (SP), de onde coordenada a chegada da droga em caminhões até São Paulo. Birosca foi identificado como um dos operadores do narcotráfico devido à identificação de fornecedores na Bolívia e de sete grupos do ramo na fronteira. Segundo o titular da Delegacia de Repressão ao Entorpecente da PF (DRE), Ciro Tadeu Moraes, cinco desses grupos são de grande envergadura, devido às quantidades de droga movimentadas. Esses grupos organizavam o transporte de cargas com cerca de 100 quilos de pasta-base. Um dos grupos coordenava até o embarque da droga para a comercialização na Europa. Em setembro, uma carga de 34 quilos foi apreendida pela PF em Ilhéus (BA), antes de chegar ao porto. A PF investigou todo o ciclo de venda e compra da droga boliviana nos últimos três anos, até culminar nos mandados judiciais que integraram a operação de ontem. Foi a partir das apreensões e prisões em flagrante que foram identificadas as células atuantes da cadeia de tráfico de pasta-base (matéria-prima da cocaína). Até a expedição dos mandados judiciais cumpridos ontem, 78 pessoas foram presas em flagrante e diversas cargas de drogas foram apreendidas, além de dinheiro (US$ 466 mil e R$ 30 mil). BALANÇO - O juiz federal de Cáceres, Raphael Cazeli de Almeida Carvalho, expediu 28 mandados de busca e apreensão e 72 mandados de prisão preventiva (30 dias) para cumprimento em outros estados como Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rondônia e São Paulo. No Brasil, foram cumpridos 44 mandados de prisão, dos quais 16 se referiam a indivíduos já presos em outros seis estados. Ontem, foram 28 prisões entre Cuiabá, Sinop e Cáceres. Um policial civil foi preso no Estado por auxiliar o narcotráfico em sua parte logística. Apenas quatro dos mandados de prisão preventiva em Mato Grosso deixaram de ser cumpridos. Os alvos são três pessoas em Cuiabá e outra em Cáceres. Outros brasileiros atualmente em território boliviano também devem ser presos. Antes da operação, 16 pessoas alvos dos mandados de prisão expedidos já se encontravam presas. Seis bolivianos também devem ser presos. Entretanto, para casos de prisão de estrangeiros, depende de acordos internacionais e da denúncia do Ministério Público, conforme explicou o titular da DRE. Ainda na região fronteiriça, a investigação resultou no segundo seqüestro judicial de fazendas que recebiam cargas de drogas lançadas do céu por aviões bolivianos.