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CIDADES
Sexta-feira, 20 de Março de 2009, 21h:07

“MENINO MAU”

Pena é de 48 anos

Durante o julgamento, Aclides Marcelo Gomes confessou apenas um assassinato. Na chacina, seis pessoas morreram

ADILSON ROSA
Da Reportagem
Aclides Marcelo Gomes, de 30 anos, mais conhecido como “Menino Mau”, foi condenado a 48 anos de prisão pela chacina do Altos da Serra, que resultou na morte de seis pessoas. Apenas uma sobreviveu ao massacre. O julgamento, realizado pelo Tribunal do Júri da Comarca da Capital, só terminou ontem, por volta da 4h30min da madrugada. Com essa condenação, Aclides soma 96 anos e seis meses de pena a ser cumprida. O crime aconteceu em 27 de março de 2001 e chocou a população pelos requintes de crueldade. Das sete pessoas atacadas, uma delas fingiu-se de morta e foi salva por isso. Durante o julgamento, Aclides, que se converteu ao Evangelismo na prisão e hoje é pastor, confessou apenas um assassinato – de Gonçalina da Guia. Ao executar os crimes, ele destruía a face e a cabeça das vítimas. Aclides disse que determinou os assassinatos por um desentendimento com a responsável por uma boca-de-fumo. “Eu só tinha dois reais e queria maconha. Mandei dois meninos irem buscar e dizerem que era para mim, para o pessoal da boca ver o que fazia. Lá, não quiseram vender dizendo que não me conheciam e desfizeram de mim”, falou ele. Então Aclides e dois cúmplices, um deles menor de idade, foram até a casa de Vanderlei Kisels, conhecido como Amapola, onde a droga era vendida, e arrombaram a porta do local. “Disse aos meninos que fizessem o que eles quisessem com Amapola e com o rapaz que estava com ele, e que depois colocassem fogo em tudo”, relatou. Aclides revelou que não participou diretamente do crime. “Enquanto eles faziam as atrocidades, eu estava ‘bolando’ a maconha”, disse. Contudo, enquanto preparava o fumo na rua, alguém o avisou que na casa de cima morava a vítima principal, Gonçalina da Guia Campos. “Não gostava dela porque me entregou diversas vezes à polícia. Ela não gostava de mim porque eu tinha um caso com a sobrinha dela”, falou. O condenado disse que invadiu a casa de Gonçalina, atirou na mulher na frente dos filhos dela, de 12 e 14 anos, e contou que seus acompanhantes assassinaram dois homens que estavam escondidos embaixo da cama da mulher. Depois, o grupo ateou fogo na casa. As crianças que sobreviveram, entregaram Aclides à polícia e prestaram depoimento ontem. Nessa versão, ele não cita a figura de Edmilson Siqueira, condenado a 55 anos de prisão como mentor do crime. Na denúncia do MPE, a chacina teria sido cometida não por um desentendimento, mas porque Gonçalina estava montando uma boca-de-fumo no bairro e vendendo drogas a preços mais baixos do que os concorrentes, que adquiriam o produto de Siqueira. A pena de Aclides poderá ser superior a 100 anos, pois ele ainda deverá enfrentar outros julgamentos, suspensos por causa do exame de sanidade mental. Como foram cometidos antes da nova redação da Lei das Execuções Penais, deverá cumprir um sexto da pena – pouco mais de 17 anos.

Edição EDIÇÃO 16967




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