CIDADES
Sexta-feira, 03 de Fevereiro de 2017, 20h:19
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RESERVA DA BIOSFERA
Pantanal corre risco de perder título
Título foi dado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no ano de 2000
EDUARDO GOMES
Da Reportagem
A um passo de perder o título de Reserva da Biosfera, que lhe foi concedido em 2000 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o Pantanal se vê ameaçado no mais amplo sentido desta palavra. A solução para reverter à situação é a criação de comitês multissetoriais e interestaduais, além, claro, de políticas públicas que fortaleçam a pesquisa e assegurem sua proteção. Essa realidade reuniu ontem, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), professores, pesquisadores e autoridades políticas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Na esfera política o vice-governador e secretario estadual de Meio Ambiente, Carlos Fávaro anunciou a liberação de recursos e uma medida administrativa que contribuirão para afugentar o risco, que queima pestanas de estudiosos sobre a região. O título de Reserva da Biosfera não é algo excepcional, mas abre as portas dos organismos internacionais e de países ricos dispostos a investirem na preservação ambiental, o que justifica todo o empenho para mantê-lo, como admite o reitor em exercício na UFMT, Evandro Soares. Esse rótulo é concedido pela Unesco desde 1972 a áreas de savanas, florestas, cerrado, manguezais e outros ecossistemas em 110 países. No Brasil foram contempladas sete áreas: Cinturão Verde de São Paulo, Cerrado, Amazônia Central, Caatinga, Serra do Espinhaço, Mata Atlântica e Pantanal. Mesmo com o título, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que formam a base territorial do Pantanal no Brasil, ficaram de costas para sua grande planície alagada e não se mobilizaram em busca de recursos nem executaram políticas para aquela região. O último programa para a área foi o BID-Pantanal, que desembolsaria US$ 400 milhões em projetos socioambientais e em infraestrutura, mas que foi descartado no começo dos anos 2000, antes mesmo que se destinasse um dólar sequer para seu objetivo. Esse programa contava com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O sinal amarelo para a perda do título foi dado em junho do ano passado, pelo Ministério de Meio Ambiente. A razão? Falta de comitês ou nomes que equivalham para a gestão ambiental do Pantanal. Esse alerta chegou à UFMT, que desde sua criação em 1970 desenvolve projetos naquela região. A saída para garantir o título e consequentemente abrir portas é a criação de mecanismos formados por representantes dos dois governos, universidades públicas, entidades dos segmentos econômicos e organizações não-governamentais. Preocupada com a ameaça a UFMT juntamente com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) abraçaram a paternidade do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas (INAU) e correm contra o tempo. O INAU é um passo, mas faltam muitos outros na caminhada em defesa do Pantanal. Um deles é desmontar a barreira burocrática que vê o Brasil à distância. Brasília entregou ao Museu Emílio Goeldi, em Belém (PA) a gestão do Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP), instalado no campus da UFMT em Cuiabá. Outro é a falta de recursos para atuação. No evento da UFMT Carlos Fávaro disse que a questão sobre a localização da direção do INPP e os primeiros recursos está resolvida. Em seu pronunciamento no evento, Carlos Fávaro anunciou que nos próximos dias o ministro Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) virá a Cuiabá e transferirá de Belém para organismos com sede no Pantanal a gestão do INPP. Além disso, revelou que seu governo destinou R$ 3,5 milhões para o Fundo de Amparo a Pesquisa em Mato Grosso (Fapemat) aplicar em estudos na região pantaneira em sintonia com a UFMT e outras instituições. Ao concluir a fala o vice-governador destacou que não tenho nada contra nossos irmãos paraenses, acrescentando que geograficamente a sede do INPP tem que ser na região pantaneira.