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CIDADES
Quarta-feira, 16 de Julho de 2014, 21h:53

FARMÁCIA DE ALTO CUSTO

Pacientes saíram com mãos vazias

Pacientes que buscaram medicamentos na manhã de ontem, na Farmácia de Alto Custo, que fica no Centro Estadual de Referência de Média e Alta Complexidades (Cermac), em Cuiabá, voltaram para suas casas com as mãos vazias. Isso porque os funcionários contratados responsáveis pela dispensação dos remédios deixaram de realizar o atendimento devido à falta de pagamento. No local, o serviço é realizado por cerca de 18 ex-funcionários do Instituto Pernambucano de Assistência à Saúde (IPAS), que no início do ano teve o seu contrato rescindido pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), que passou a administrar a gestão dos medicamentos. “A Secretaria era para ter repassado o pagamento no dia 30 de junho e não o fez. Estamos sem salário, sem vale transporte e sem vale alimentação”, disse uma das funcionárias, que não se identificou. O IPAS foi afastado da administração da Farmácia de Alto Custo, após o desperdício da ordem de R$ 3 milhões em medicamentos. Após um período de intervenção, o seu contrato firmado com o Estado foi rescindido. Apesar do problema ser decorrente de questões salariais, um cartaz fixado na porta da farmácia dizia que a dispensação dos medicamentos não estava sendo realizada devido “a falta de sistema de estoque”. Segundo o aviso, os pacientes estariam sendo reagendados a partir de hoje (17). A situação deixou Mauriza Nunes dos Santos Arruda, de 42 anos, desconsolada. “É revoltante. Eu telefonei várias vezes e ninguém atende. Agora chega aqui e não tem nem previsão de quando a situação será normalizada”, lamentou. Moradora do bairro Santa Terezinha, em Cuiabá, Mauriza Arruda foi buscar a insulina “Lantus” para o marido, que segundo ela, passa mal quando deixa de fazer uso do medicamento. “Uma ampola custa cerca de R$ 300,00. É muito caro, não dá para comprar”, comentou. Assim como ela, várias outras pessoas saíram de lá sem o medicamento que precisavam. Por meio da assessoria de imprensa, SES não reconheceu a falta de atendimento aos pacientes do SUS, apesar da constatação “in loco” feita pela reportagem do Diário, que esteve no local por volta das 10 horas. Para a SES, a falha no atendimento – que começou na terça-feira - foi pontual. Já sobre o pagamento dos funcionários, a SES informou que o depósito estaria sendo feito ontem, com o dinheiro entrando na conta dos contratados à noite. Ainda, segundo a SES, já foi aberta licitação para contratação da empresa que irá gerenciar a gestão dos medicamentos.

Edição EDIÇÃO 16962




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