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CIDADES
Quarta-feira, 13 de Abril de 2011, 20h:47

ALTO CUSTO

Pacientes peregrinam sem medicamentos

Ao menos 15 tipos de remédios fornecidos na farmácia em Cuiabá estão em falta, ente eles a insulina, imprescindível para que tem diabetes

CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
Um casal de aposentados de Várzea Grande teve uma notícia desagradável ao chegar à Farmácia de Alto Custo de Cuiabá. Os dois remédios que eles pegam mensalmente no local estão em falta há cerca de um mês. Outros 13 medicamentos, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, também estão em falta na farmácia. Mais de 20 mil usuários do Sistema Único de Saúde estão cadastrados para receber medicamentos. O casal de aposentados E.S.J.E e A.S.E., ambos de 58 anos, precisava de insulina glargina (comercialmente conhecida como Lantus) para tratar da diabetes dele e de colírio para tratar o glaucoma dela. Ambos saíram sem os remédios. O problema da falta de medicamentos é recorrente na farmácia, segundo as pessoas que dependem do serviço. “Quando fui pedir meu colírio, a moça do balcão me disse que não tinha porque ainda não foi feito o pagamento do remédio”, contou a aposentada. A atendente disse também para a aposentada que não sabia quando o medicamento iria estar disponível. O marido dela ouviu a mesma resposta quando tentou pedir insulina. “Disseram que não tem remédio porque não fizeram o pagamento”, afirmou. Diabético há 15 anos, ele disse que perdeu a conta de quantas vezes a situação de se repetiu. Uma pessoa que trabalha no local confirmou que alguns medicamentos estão em falta há cerca de um mês. A solução para o casal e para outras pessoas que dependem dos medicamentos para tratar doenças crônicas será comprar os produtos em farmácias particulares, o que, muitas vezes, pesa – e muito – no orçamento das famílias. “Nós vamos conseguir comprar os medicamentos, mas e as pessoas que não podem? Já vi muitas pessoas aqui chorando depois de saberem que não tem remédio porque não tem dinheiro pra comprar. Não é fácil presenciar essas coisas”, disse a aposentada. Nas farmácias, o colírio xalacon custa cerca de R$ 150 e a insulina sai por R$ 90, em média. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Saúde confirmou a falta de 15 medicamentos, mas alegou que quando o atual secretário Pedro Henry assumiu o cargo, as farmácias estavam desabastecidas. A assessoria disse ainda que parte dos remédios já foi comprada e o prazo para a entrega é de 15 dias úteis – a partir da última terça-feira. A expectativa, no entanto é que a entrega aconteça essa semana ou na próxima, antes do tempo previsto. A assessoria informou também que a SES espera conseguir resolver o problema da falta de todos os medicamentos em até 30 dias.

Edição EDIÇÃO 16967




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