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CIDADES
Terça-feira, 05 de Janeiro de 2010, 12h:50

LONGA ESPERA

Paciente atrofia sem cirurgia no PSVG

Há 4 meses, Cláudio, que sofreu acidente, aguarda ter braços e fêmur operados sobre um leito da unidade, enquanto greve de médicos dura 100 dias

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
As festas de fim de ano foram essencialmente de dor para o operador de máquinas Cláudio Leandro dos Santos, 33 anos, há quatro meses confinado num leito do Pronto-Socorro de Várzea Grande. O fato de quase não se mexer na cama já rendeu pelo menos três escaras (úlceras devido à posição continuada) nas nádegas e nos pés de Cláudio, que espera por cirurgias desde que um acidente automobilístico lhe quebrou o fêmur esquerdo e os dois braços – cujos ossos já se colaram, mas tortamente, da maneira incorreta. O nome de Cláudio está numa lista de 34 pacientes do PSVG atualmente aguardando cirurgias ortopédicas, que deixaram de ser realizadas desde que os médicos da unidade empreenderam greve. A paralisação já dura mais de 100 dias, pois, ao contrário da greve iniciada pelos médicos de Cuiabá praticamente na mesma época, em Várzea Grande não houve acordo entre a categoria e a gestão municipal de saúde. Mesmo a liminar judicial que determinava a volta dos médicos ao trabalho foi insuficiente para garantir atendimento a Cláudio, pois obrigava procedimentos de emergência, não cirurgias eletivas – como é considerada a de Cláudio. Enquanto ele espera, médicos e prefeitura ainda negociam e o diretor administrativo do PSVG, João Botelho, anuncia enviar à Procuradoria Geral do município uma lista dos 34 pacientes para quem a espera já foi longe demais, entre eles Cláudio. “Dia amanhece, dia escurece, e você não sabe o que está acontecendo direito. Tô louco pra ir embora”, reclama Cláudio, que até agora não ouviu nada consistente sobre sua cirurgia. “Eles passam, olham, e vão embora”, complementa a esposa Dilene Barros, 24 anos, referindo-se aos médicos. Estes, aliás, ela diz que nada têm feito a não ser receitar o analgésico dipirona “e uma pastilha vermelha aí”. Diz que nada fazem a respeito da atrofia que acomete os membros de Cláudio ou sobre as variações de percepção causadas nele pela batida na cabeça que sofreu no acidente que o deixou de cama, em outubro. É desde essa época que a renda da família – Cláudio e Dilene têm dois filhos – está na corda bamba. Segundo Dilene, desempregada, era o marido que sustentava a casa. Agora, a família tem despesas enormes como a compra de fraldas, que Cláudio troca três vezes ao dia. Por isso, a família apela por ajuda e até doações. Interessados podem contatar os números 9209-3618 e 3686-0420. GREVE – De acordo com o diretor clínico do PSVG, Glen Arruda, de fato a greve dos médicos tem impedido a realização das cirurgias ortopédicas eletivas. Ele acrescenta que a mesma lista de pacientes enviada à Procuradoria será enviada também ao Conselho Regional de Medicina, que pode levar o caso ao Ministério Público Estadual. A secretária de Saúde Jaqueline Guimarães afirmou que deve entrar em acordo com os médicos até o dia 13, com nova proposta salarial de plano de carreira. O representante sindical dos médicos em Várzea Grande, Oderlino Godoy, não foi encontrado para falar a respeito.

Edição EDIÇÃO 16962




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