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CIDADES
Terça-feira, 25 de Outubro de 2011, 20h:37

MATUPÁ

Outros quatro absolvidos

Em quarta sessão de julgamento da chacina todos os réus que enfrentaram jurados foram livrados. Próximos são PMs

Mais quatro acusados do crime conhecido como “Chacina de Matupᔠconseguiram a absolvição dos jurados na quarta sessão para julgar o caso, um dos mais violentos da história de Mato Grosso e cujas imagens ganharam repercussão internacional. No crime, ocorrido em 1990, três homens foram queimados vivos por populares em plena praça pública e diante de uma câmera de TV. Ao todo, do 18 civis acusados do fato três foram condenados. Sete policiais militares vão a júri pelo crime no próximo ano. Em uma sessão que iniciou na manhã de segunda-feira e terminou nos primeiros 30 minutos de ontem os réus Antônio Pereira Sobrinho, Ênio Carlos Lacerda, Roberto Konrath e José Antônio Correia enfrentaram os jurados. As defesas argumentaram que não havia provas suficientes para enquadrá-los no crime de homicídio contra Ivanir Garcia dos Santos, 31, Arci Garcia dos Santos, 28, e Osvaldo José Bachinan, 32. Em 1990, eles foram linchados no município de Matupá depois que assaltaram e sequestraram uma família. Foram queimados vivos às 11h30, no entroncamento da BR-163 com o aeroporto da cidade. Durante o julgamento realizado no município, os representantes do Ministério Público Estadual já haviam pedido a absolvição de Antonio Sobrinho e Enio Lacerda por conta da falta de provas. Apesar de constar no processo que Antonio Sobrinho teria fornecido um galão de gasolina para o assassinato dos três assaltantes, além de incitar a população para a agressão, ele disse, em seu depoimento ao júri, que não emprestou a gasolina. Explicou que apenas parou para ver o que estava acontecendo no momento em que os três já estavam sendo queimados e que até pegou o revólver para dar um “tiro de misericórdia”, mas que desistiu por achar a cena muito triste. Enio Lacerda, que foi delegado de Peixoto de Azevedo na época, disse que foi chamado para contribuir com as negociações no dia do sequestro e que não havia determinação para matar os assaltantes. Informou também que nem estava em Matupá quando as vítimas foram queimadas. Ao contrário da absolvição pedida para Antonio e Enio, o MPE acredita que José Correia deveria ser enquadrado por homicídio, apenas contra Ivanir; e Roberto Konrath, pelos três homens linchados. José Correia confessou ter chutado uma das vítimas porque estavam ocorrendo muitos assaltos e tinha medo de que sua família fosse alvo de criminosos em algum momento. Afirmou que ficou pouco tempo no local, mas viu de longe as vítimas serem queimadas. Roberto Konrath contou que dirigia o carro do prefeito da cidade, que estava conduzindo os assaltantes ao aeroporto. Eles seriam encaminhados para Colíder para que a população de Matupá não os atingisse. Roberto está respondendo pelas possibilidades de ter retirado as algemas das vítimas para a morte, o que confirmou ter feito, mas apenas com um dos assaltantes. Contou também que o caminho até o aeroporto estava bloqueado por um caminhão e, sendo assim, tentou voltar para a delegacia de Matupá. Segundo ele, como a população estava no caminho, parou o veículo. Roberto culpou um policial militar por ter dito que não havia como deixar o local. A promotora Daniele Crema da Rocha irá recorrer da decisão porque vê Roberto Konrath e José Correia como culpados no crime. Sete policiais militares também foram denunciados pelo MPE: Edyr Bispo Santos, Lúcio da Silva, Juraci Messias dos Santos, Valter Benedito Soares, Lucir Ramos da Silva, Ciro Lopes e Jacles George de Melo. O juiz Tiago Souza Nogueira de Abreu, presidente do júri, informou que não há previsão para o julgamento, mas apontou que talvez seja em 2012.

Edição EDIÇÃO 16967




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