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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 05 de Fevereiro de 2005, 13h:20

FOLIA

Os riscos do barulho excessivo

Especialistas aconselham prudência com os trios elétricos, cujo som pode causar problemas auditivos

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
O barulho emanado de caixas de som superpotentes dos clubes e trios elétricos pode causar danos à audição. O alerta é feito por especialistas que afirmam que com o carnaval o nível de pressão sonora eleva-se brutalmente, podendo provocar a perda de audição. Conforme a fonoaudióloga Janete de Vlieger Barzatto, a aparelhagem utilizada por carros de som ou trio elétrico atualmente chega a atingir intensidades sonoras da ordem de 120 decibéis dB (A). “Quem fica muito próximo ao carro de som a 120 decibéis vai ter uma lesão imediata de células do ouvido, o que é irreversível”, alerta. De acordo com ela, há uma variação de indivíduo para indivíduo relativa à susceptibilidade ao barulho. No entanto, existem padrões estabelecidos que indicam o quanto de som e tempo de exposição o ouvido pode tolerar sem que haja danos: até 85 decibéis, o tempo máximo são 8 horas; 90 decibéis até 4 horas; 95 decibéis até 2 horas e 100 decibéis apenas uma hora. “Quanto maior o tempo de exposição a som alto, maior o perigo de causar danos à audição”, diz. Um único som acima de 100dB (A) pode lesar irreversivelmente as células sensoriais de pessoas suscetíveis. Essa intensidade sonora é facilmente atingida em danceterias, shows musicais ou mesmo em comemorações com fogos de artifício, comuns durante as festas Juninas e de fim de ano. A fonoaudióloga Katya Guglielmi, consultora da GN ReSound, empresa de aparelhos auditivos, lembra que geralmente os “jovens gostam de escutar o som muito alto e acham que quanto mais perto das caixas de som, melhor. O que eles não sabem é isso é apenas um prazer momentâneo. Podem terminar o carnaval com sintomas de ‘zumbido’ nos ouvidos, o que pode vir a ser extremamente prejudicial à sua saúde auditiva num futuro próximo”. Ela explica que a lesão por ruído geralmente fere células do ouvido responsáveis pelas freqüências agudas. É justamente nestas freqüências que estão concentrados os principais fonemas para o entendimento das palavras. “Quando isso ocorre, o paciente deve procurar um otorrinolaringologista e este irá fazer o diagnóstico médico”, afirma. Uma das condutas que poderão ser tomadas é a indicação da prótese auditiva para compensar estas freqüências lesadas. Por outro lado, ela destaca que a perda auditiva por ruído pode ser evitada com a utilização de protetores auditivos. Existem protetores com filtros de fala, que deixam passar a fala e protegem do ruído. Já a fonoaudióloga Janete Barzatto lembra que é muito comum pessoas que lidam com música e expõem seus ouvidos a volumes de som muito altos apresentarem problemas auditivos. Assim também como motoristas de carga pesada, ônibus, pessoas que trabalham em frigorífico e metalúrgicos. Além disso, o barulho ou ruído pode ter efeitos nocivos não somente sobre a audição, causando dores de cabeça, estresse, cansaço, entre outros.

Edição EDIÇÃO 16960




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