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CIDADES
Quarta-feira, 12 de Agosto de 2015, 20h:47

PROTESTOS

O transtorno chamado MST

Movimento ligado ao PT perdeu manifestantes e agenda, mas conseguiu causar tumultos no trânsito de Cuiabá e VG

MARCELO FERRAZ
Da Reportagem
Após meses sem se manifestar em Mato Grosso, o Movimento dos Sem Terra (MST), que é ligado ao Partido dos Trabalhadores (PT), voltou neste mês de agosto a invadir fazendas, a ocupar a sede do Incra em Cuiabá e a interditar ruas e avenidas, além de bloquear rodovias federais. Ontem, mesmo com um número reduzido de manifestantes em relação ao auge do movimento na década de 90, o MST causou transtornos no trânsito de Cuiabá e Várzea Grande. Segundo a Polícia Militar, a caminhada do grupo de cerca de 350 pessoas começou no Trevo do Lagarto, em Várzea Grande. Logo depois, os manifestantes seguiram um trajeto de 20 km percorrendo as avenidas Júlio Campos, Filinto Muller, FEB, Prainha e Avenida do CPA, até chegar ao Centro Político Administrativo para ocupar a sede do Incra. Segundo a PM, por conta da macha do MST, o trânsito em algumas regiões ficou paralisado até que a fila de pessoas do MST seguisse sua lenta caminhada. O objetivo dos manifestantes era tentar agendar uma reunião com o governador Pedro Taques. No entanto, conforme informações do Gabinete de Comunicação, o governador já estava com compromissos agendados durante todo dia de ontem e, nesta quinta-feira (13), viajaria para visitar alguns municípios do interior. Uma comissão foi recebida pelo secretário da Casa Civil, Paulo Taques, que ouviu reivindicações pela agilização da reforma agrária, contra a terceirização do mercado de trabalho e contra o ajuste fiscal (nenhuma delas ao alcance do governo estadual). De acordo com a Casa Civil, ficou agendada uma reunião com o governador na segunda-feira (17), às 11 horas. Toda a manifestação foi acompanhada pela PM e pela Rotam (Ronda Ostensiva Tática Móvel) e nenhuma ocorrência policial foi registrada. DESOBEDIÊNCIA – Alheios aos transtornos causados aos demais cidadãos, os integrantes do movimento afirmaram que vão esperar a reunião ali no Centro Político Administrativo mesmo. E disseram que não vão desocupar a Fazenda Nossa Senhora Aparecida, localizada no Município de Jaciara (cidade distante a 144 km de Cuiabá), mesmo com uma ordem judicial obrigando-os a deixar a área. “A juíza ainda não determinou o uso de força policial para desocupar a área. Ela está avaliando as condições junto aos outros órgãos responsáveis pela reforma agrária para retirar as famílias”, relatou, tranquilo, o coordenador do MST, Vanderli Scarabeli. A invasão por 800 integrantes do MST da área de 2.186 hectares pertencente ao Grupo Agropecuária Vale Rico Ltda, de propriedade de Waldemir Ival Loto, completou um mês hoje. Após o provimento da Ação de Reintegração de Posse, a juíza Adriana Sant’anna Coningham, da Vara Especializada de Direito Agrário, ordenou, no último dia 5, a desocupação da fazenda em um prazo de 72 horas. Segundo o teor da decisão, a propriedade não possui características para ser usada em processo de reforma agrária. Na decisão judicial, a juíza também decidiu que os sem-terra deveriam manter a área preservada, sem realizar nenhum tipo de alteração, sob pena de crime de desobediência. No entanto, a defesa do fazendeiro, Dauto Passare, declarou que o MST expandiu a quantidade de famílias ocupando a área. “Eles não cumpriram a decisão judicial, por isso, denunciamos a situação em juízo”, afirmou o advogado.

Edição EDIÇÃO 16968




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