CIDADES
Quinta-feira, 11 de Setembro de 2014, 21h:29
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ZOONOSES
Número de animais nas ruas preocupa
Em audiência pública ontem, foi cobrada postura eficaz da Prefeitura diante do aumento de animais domésticos soltos pela Capital
YURI RAMIRES
Da Reportagem
A preocupação com a quantidade de animais domésticos abandonados pelas ruas de Cuiabá foi discutida ontem em uma audiência pública no Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT). Foi cobrada do Executivo municipal uma postura diante do problema, uma vez que a presença desses animais nas ruas poderá aumentar a proliferação de doenças na população, como a leishmaniose. A promotora Ana Luiza Avila Peterline de Souza, explicou que faltam políticas públicas em Cuiabá, em especial para controlar os animais domésticos. A ausência desse controle, dessas medidas, acabam refletindo no número de animais que estão nas ruas, ressaltou. Para Peterline, uma série de ações podem ser adotadas, sendo elas: programa de castração, cadastramento dos animais por meio de um chip, campanha de adoção, criação de um local para tratamento gratuito, campanha de posse responsável, um site informativo e resgate e abrigamento. O trabalho de resgate e abrigamento, por exemplo, atualmente é realizado pelas Organizações Não Governamentais (ONGs), que atuam na defesa dos direitos dos animais. O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), representado pela coordenadora do local, Alessandra Costa, afirmou que o local não tem estrutura para esses tipos de ação. Para ela, os animais na rua colocam em risco a eles mesmos, e a população. Os animais podem transmitir doenças, o CCZ está em campanha nesse momento contra a raiva. Buscamos identificar os animais que podem estar contaminados e cuidamos da melhor forma possível, ressaltou. Segundo a presidente da Associação Mato-grossense Voz Animal (AVA), Maria das Dores, a Dora, está na hora da criação da Secretaria Municipal do Bem Estar Animal, que já existe em outras capitais, como Florianópolis (SC) e Rio de Janeiro (RJ). Hoje, no abrigo da AVA, existem cerca de 130 gatos e 140 cachorros, totalizando 270 animais. Vivemos com o sacrifício e estamos sempre lotados. Por mês, chegamos a gastar até 15 mil mensais. E sem nenhuma ajuda do poder público, ressaltou. Desde 2010, com a ajuda do legislativo municipal, um projeto de lei reformulando alguns pontos da Lei da Zoonose tramita, mas sem um parecer até o momento. Um inquérito civil já foi instaurado pelo Ministério Público para apurar a suposta omissão do município diante do problema. SACRIFÍCIO Dora ressaltou que os animais que vão parar no Centro de Zoonose, são sacrificados após três dias, caso nenhum dono apareça para resgatá-los. O discurso é de que o sacrifício só é feito em casos de atropelamento e leishmaniose, o que não é verdade. Temos denúncias de funcionários de que toda sexta-feira, animais são sacrificados para não ocupar o espaço, desabafou. Conforme citado acima, a coordenadora do CCZ, Alessandra, ressaltou que os animais só são sacrificados mediante àquelas situações e negou qualquer atitude desse tipo.