CIDADES
Segunda-feira, 02 de Agosto de 2010, 19h:48
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CASO ABINOÃO
Novos indiciamentos ainda podem surgir
As investigações sobre a morte do militar alagoano Abinoão Soares de Oliveira, 34, podem surtir mais indiciamentos. Segundo o tenente-coronel Otomar Pereira de Pereira, que já finalizou o inquérito militar apurando as circunstâncias da morte num curso do Estado, as novas diligências solicitadas pelo Ministério Público, como oitivas e análise de novas imagens comparadas com depoimentos, devem revelar mais sobre a omissão das pessoas presentes durante o afogamento do alagoano e gerar indiciamentos por falso testemunho. Embora o inquérito militar já tenha sido concluso, na semana passada o MP requereu novas diligências com base em uma alegação feita pelo próprio Pereira em seu relatório, segundo a qual o tempo disponibilizado não fora suficiente para realizar alguns procedimentos que poderiam aprofundar o inquérito. Além disso, o MP baseou o pedido na necessidade de análise de novas imagens apreendidas, segundo o promotor Vinicius Gahyva, do treinamento em que Abinoão morreu. Realizado na região de Manso, tratava-se do 4º Curso de Tripulantes Operacional Multi-Missão, oferecido pelo Estado. O curso contou com exercícios de imersão, momento no qual Abinoão e outros quatro alunos foram afogados. Só o alagoano não resistiu. Gahyva deve acompanhar, durante 30 dias, a realização das diligências que Pereira classifica como pendentes. A principal é a análise das novas imagens apreendidas. Agora, o total de fotografias do curso e do dia em que Abinoão morreu é um arquivo de 13,5 gigabytes, mais de 2,5 mil fotos. Todo esse material passará por análise, mas também serão colhidos cerca de 30 novos depoimentos, que devem começar hoje. Entretanto, Pereira explica que essas novas diligências não têm muito o que dizer a mais sobre a morte de Abinoão especificamente, pois neste sentido o inquérito já estaria robusto, mas deverão apontar comportamentos omissos de pessoas que estavam próximas ao alagoano durante o afogamento e nada fizeram para impedir sua morte. Tudo isso poderá levar a indiciamentos de outras pessoas, como por falso testemunho dos que já haviam dado depoimento no inquérito militar. Conduzida por Pereira, a investigação militar culminou no indiciamento por homicídio culposo (sem intenção de matar) dos tenentes Carlos Evane Augusto e Dulcézio de Barros, do Batalhão de Operações Especiais (Bope), principais agressores de Abinoão. Outros 20 militares foram igualmente indiciados por nada terem feito para impedir a morte. Um inquérito civil concluso antes também apurou o caso, mas a Justiça considerou descabida a investigação civil num caso tido como militar.