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CIDADES
Quarta-feira, 02 de Março de 2011, 22h:01

EXUMAÇÃO

Novo exame suspenso

Restos mortais de Leopoldino do Amaral, retirados ontem de cemitério, terão que voltar por força da Justiça Federal

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Mesmo tendo ocorrido pela segunda vez nos últimos seis anos, a retirada dos restos mortais do juiz Leopoldino Marques do Amaral do túmulo não vai ter resultado prático algum. Isso porque, ontem à tarde, o Ministério Público Federal conseguiu uma decisão judicial que determinou a suspensão imediata de qualquer prática para que houvesse a exumação. A ossada do juiz foi removida na madrugada de ontem, depois de autorizada pela Justiça do Estado, atendendo ao pedido da Polícia Civil. Amaral foi assassinado no dia 5 de setembro de 1999. Há seis anos, seu corpo foi exumado, pois, suspeitava-se que o cadáver enterrado em Mato Grosso não pertencia ao magistrado. Na madrugada de ontem, pela segunda vez, os ossos seguiram do Cemitério de Poconé para o Instituto Médico Legal (IML) em Cuiabá. Conforme o Ministério Público, a decisão que impede o novo exame diz que está suspensa a “prática de todo e qualquer ato tendente à exumação do corpo do Juiz Leopoldino Marques do Amaral, devolvendo-se ao local de origem os seus restos mortais”. Serão intimados o diretor geral de Polícia Civil e o diretor do Instituto Médico Legal para o cumprimento imediato da decisão federal. Os representantes do Ministério Público do Estado - que colaborou com o pedido para suspender o exame - e do MPF já haviam se manifestado contrários à realização de nova exumação do corpo do juiz Leopoldino Marques do Amaral. De acordo com o promotor de justiça Arnaldo Justino da Silva, que atua no Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), o entendimento do Ministério Público é de que a Justiça estadual não tem competência para decidir em relação a esta questão, já que o processo que apurou o homicídio do juiz tramita na Justiça Federal. “Eu e o representante do Ministério Público Federal fomos surpreendidos com a realização desta exumação. O juiz José Arimatéa nos deu ciência ontem (anteontem) pela manhã da decisão e o nosso posicionamento foi de que o processo deveria ser remetido para a Justiça Federal. Fomos informados ainda ontem (anteontem), no início da noite, pela escrivã da 15ª Vara de que o juiz havia declinado competência e suspendido a exumação”, explicou o promotor. A exumação havia sido autorizada pelo juiz da Vara Especializada em Crime Organizado, José Arimatéia Neves da Costa, após a apreensão de novo material referente à arcada dentária que não havia sido entregue ao IML. “Há alguns meses a Polícia Civil fez novas investigações, novas diligências sobre a morte do doutor Leopoldino, e apreendeu documentos que ainda não tinham sido entregues ao IML”, informou o coordenador de Medicina Legal, Jorge Caramuru. Esses documentos, conforme Caramuru, são referentes a tratamentos dentários anteriores feitos pelo magistrado. “Com esses documentos surgiu fato novo, que geraram algumas dúvidas e foram levadas para o juiz (Arimatéia), que determinou a exumação para novos exames e perícia”, disse. Segundo o médico, o juiz Arimatéia havia determinado segredo de justiça. Por isso, ele não deu detalhes sobre o tipo de documentos encontrados e quais as dúvidas que foram geradas. Sobre os exames, o coordenador do IML afirmou que, além das análises da arcada dentária, se fosse necessário, seria feito novo DNA. (Com assessoria)

Edição EDIÇÃO 16967




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