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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 12 de Dezembro de 2009, 00h:00

CAMPOS DO NORTE

Nova quadrilha do tráfico

Operação da PF desencadeada ontem resultou em 19 prisões entre cidades de MT e mais outros 5 estados

KEITY ROMA
Da Reportagem
Empresários, fazendeiros e fornecedores de cocaína que formavam uma quadrilha de tráfico de drogas com base em Mato Grosso foram presos pela Polícia Federal durante a Operação Campos do Norte. Sete prisões aconteceram em Cuiabá e Várzea Grande, 12, no interior e em outros cinco estados. O grupo dispunha de alto poder de fogo e usava o espaço aéreo para arremessar carregamentos de cocaína trazidos da Bolívia em fazendas mato-grossenses. Essa é a nona operação federal realizada este ano para desarticular grandes organizações criminosas que agem no Estado com narcotráfico. A organização criminosa conta com membros reincidentes na prática, um deles teria sido preso também nas operações Fronteira Branca e na Alfa. “Vários integrantes da quadrilha já são ‘clientes’ da Polícia Federal”, disse o delegado regional de Combate ao Crime Organizado, Alexandre Custódio. Seis pessoas ainda estão foragidas, uma delas, um brasileiro escondido na Bolívia. “Temos outros mandados de prisão expedidos contra ele, mas não temos equipe lá na Bolívia. Pedimos a extradição e temos que contar com o apoio da polícia boliviana. Há anos ele é fornecedor de drogas”, frisou o delegado. A Polícia Federal não divulga o nome dos presos pela operação devido a normas da corporação. A quadrilha vinha sendo investigada desde junho de 2008 e, no período, teve 840 quilos de cocaína apreendidos em ações isoladas. Apesar de não ser uma novidade no mundo do crime, o uso de aviões para o transporte de grandes volumes do entorpecente tem se intensificado entre as grandes quadrilhas. “Grandes organizações só usam os aviões para entrar com a cocaína. Os pilotos são muito bem preparados, fazem voos bem difíceis em baixa altitude para não serem flagrados. Chegam a voar a 50 metros de altura. Trazem a droga e nem param o avião, apenas lançam dentro dos limites da fazenda, voltando em seguida para a Bolívia”, revelou Custódio. A base da quadrilha ficava em Cáceres. Duas fazendas eram usadas pelo grupo, uma em Sapezal e outra em Campos de Júlio. Os proprietários eram ligados aos traficantes. Depois que a droga atravessava a fronteira, era transportada para grandes centros camuflada em caminhões que cruzavam as rodovias do país. As principais rotas utilizadas pelo grupo passavam pelos municípios de Barra do Garças, Alto Araguaia, Campo Grande e Sonora. Os carregamentos seguiam para os estados da Bahia, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Pernambuco. Os líderes do bando foram presos em Dourados (1), Cáceres (2), e um boliviano em São Paulo. O foragido na Bolívia também seria um dos responsáveis pelo esquema. Quatro de 29 mandados de prisão foram expedidos contra acusados de tráfico que estavam detidos em presídios de Mato Grosso, São Paulo e Pernambuco. Os envolvidos tiveram sequestro de bens decretado e dinheiro apreendido. “Muitos desses acusados reiteram no crime, mas não podemos fazer nada quando a gente prende e os desembargadores colocam na rua”, lamentou Custódio.

Edição EDIÇÃO 16968




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