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CIDADES
Sexta-feira, 03 de Setembro de 2010, 20h:09

FALTA D´ÁGUA

Nem caminhões-pipa privados dão conta de atender as casas

DHIEGO MAIA
Da Reportagem
A estiagem extrema em Cuiabá tem dificultado a chegada de água na torneira das casas. Nem os moradores que têm poços artesianos não estão livres da falta d’água. Como paliativo, a população tem recorrido aos caminhões-pipa particulares, que chegam a cobrar por mil litros do líquido cerca de R$ 20, o suficiente, por exemplo, para quitar o custo de uma conta mensal emitida pela Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap) para o consumo de uma família com até três pessoas. A reportagem ouviu quatro empresários do ramo da venda de água e a constatação foi a mesma. A demanda pelo serviço é mais alta que a capacidade de atendimento. Para José Carlos, dono de caminhões-pipa, os bairros São Mateus, 1º de Março e Novo Paraíso são os mais preocupantes em Cuiabá. “As pessoas são muito pobres. Eu não posso dar a água porque existe um custo para transporte e captação. Tem família que chega a esperar uma semana pelo caminhão-pipa”, testifica. Um caminhão-pipa de oito mil litros do empresário, se for encomendado apenas para um local, chega ao custo de R$ 90. Se o destino for, por exemplo, o CPA, pode vir a custar R$ 130. Para Carlos Soares o problema está na gestão pública do serviço. “Aumentou a demanda porque os governantes não estão nem aí (sic) para as pessoas”, dispara. Segundo ele, que também é empresário do ramo, até os moradores que têm instalados poços artesianos nas residências também sofrem. “Quem tem depósito de 1 mil até dois mil litros fica sem água nesse período”, confirma. Quando o morador solicita o serviço particular de abastecimento de água ele paga duas vezes pelo serviço que deveria ser efetivamente ofertado pelos órgãos públicos, já que é taxado todo mês. Em Cuiabá, a responsabilidade de sanar a falta d’água é da Sanecap, aos moradores com matrícula constituída do serviço. A reportagem do Diário entrou em contato com o engenheiro responsável pelo setor de abastecimento da Companhia, Noé Rafael da Silva. Ele disse que existe uma escala de prioridades para o abastecimento de água via caminhões-pipa. “A prioridade é atender hospitais, creches, escolas e o Pronto-Socorro, depois é que atendemos a população”. O engenheiro ainda afirma que a demora do serviço não passa de 24 horas da solicitação do morador, porque as equipes do serviço trabalham até altas horas do dia. Ele não soube informar quantos litros de água foram transportados nos últimos dias para casas sem água por meio dos caminhões-pipa. “Nós estamos abastecendo todo mundo. A chegada do caminhão depende da distância do bairro do morador”.

Edição EDIÇÃO 16960




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