CIDADES
Sábado, 13 de Novembro de 2010, 11h:29
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PULO DO GATO
Necessidades de Chapada vão além de 2014
Tornar município de veraneio do cuiabano um real atrativo turístico é desafio que perpassa solucionar problemas estruturais que Copa não vai resolver
O sonho mato-grossense de ter Chapada dos Guimarães como um grande polo turístico virou assunto inevitável com a proximidade da Copa. O relógio corre e, nesta última semana, empresários locais buscaram o exemplo da gaúcha Gramado e seus projetos de sucesso para fazer deslanchar a única cidade de veraneio do Estado. Porém, o desafio que se revela é maior; é de que, antes a cidade precisa superar a carência de tantos serviços básicos que fica difícil apostar em 2014. Comerciantes e até poder público concordam que, antes de projetos essencialmente turísticos, precisam ser urgentemente resolvidas estruturas de saneamento básico (principalmente distribuição de água) e saúde. São desafios pelos quais a própria inspiração, Gramado, passou antes de ser um dos destinos mais disputados no país, diz o ex-prefeito Pedro Bertoluci, que proferiu palestra em Chapada (65 Km de Cuiabá) na última terça-feira. A natureza fez sua parte, agora o homem tem que fazer a sua. Não começamos em Gramado com hotel de cinco estrelas. Como nas estradas, tivemos dificuldades que cidades pequenas têm em todo o Brasil e não faz muito tempo que superamos. Não é por acaso que os comerciantes essencialmente dependentes do turismo sentem no bolso efeitos da precária estrutura da cidade, que impacta a movimentação. Principalmente de pessoas de fora do Estado ou do país. Com a situação da água e do lixo, os turistas acham um absurdo, relata Lui Belfort, que toca uma empresa de ecoturismo. Essas carências de saneamento básico minam a imagem de cartão-postal que a cidade deveria ter para Mato Grosso, como diz o fotógrafo e dono de restaurante Chico Venâncio. Para ele, este é mais um ponto responsável pela má impressão sobre Chapada, que por falta de visão até hoje não definiu sua identidade turística (ver matéria). Por sua vez, a decrescente movimentação desmotiva a iniciativa privada, gerando um efeito bola-de-neve letal para o município. Com cerca de uma década no comércio, o dono de padaria Gercé Antônio Rezende lamenta pelos últimos dois anos e atribui à falta do básico. Na última seca, diz que não foi só a fumaça das queimadas que espantou os turistas. Foi difícil. Ficamos até quatro dias sem vir água, conta, destacando que só mesmo o cuiabano tem visitado a cidade. O preocupante é que, logo após os poucos eventos que ainda atraem visitantes (como o Festival de Inverno), o que resta na cidade é o lixo nas ruas, incomoda-se Cainã de Araújo Pavão, vendedor de uma loja de artesanato que até hoje expõe na vitrine peças produzidas para serem liquidadas durante o último Festival. A esperança é a Copa. Já o empresário Ralf Goebbel, representante mais antigo do setor hoteleiro em Chapada, acha que o caminho da cidade pode ser inverso. Ele acredita que, na medida em que forem promovidos verdadeiros roteiros e atrações turísticas, o poder público fomenta e se encarrega de fornecer a contrapartida necessária. Nesse raciocínio, ele critica a falta de estrutura para turistas de todas as idades nos pontos de belezas naturais (ver matéria). VERBAS - O prefeito de Chapada Flávio Daltro explica que o município não tem margem de investimento para qualquer área de sua estrutura e, por isso, continua padecendo dos problemas que comprometem o turismo. Embora sofra com crônica falta dágua, limpeza urbana falha e estrutura insuficiente de saúde, as únicas medidas do município (cuja receita se baseia em repasses federal e estadual) têm sido solicitar mais auxílio financeiro e de incluir o município nos programas federais. Chapada, com 17,8 mil habitantes, tem sua estrutura onerada por até mais 6 mil em fins-de-semana (a maioria mato-grossenses) e arrecada praticamente nada com o turismo.