CIDADES
Sexta-feira, 20 de Abril de 2012, 21h:45
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Narcisistas afetam a performance das empresas
O psiquiatra americano Roy Lubit, Ph.D. em Ciência Política pela Harvard University, fez um trabalho científico denominado O Impacto dos Gestores Narcisistas nas Organizações. Publicado na RAE (Revista de Administração de Empresas) de setembro de 2002, ele traça o perfil do Narcisista Destrutivo (ND) e diz que esse é um problema comum e significativo nas organizações. A aparente autoconfiança, observa o pesquisador, se manifesta como ambição por poder e falta de compaixão, fatores que juntos levam os gestores com personalidade narcisista destrutiva a alcançar, facilmente, posições de poder. Ao mesmo tempo, sua desvalorização em relação aos outros, o foco exclusivo no que seja melhor para eles próprios e as dificuldades em trabalhar com os outros podem prejudicar a performance e a moral da organização, e ainda afastar os funcionários mais talentosos. Muitas grandes organizações possuem um suficiente número de gestores ND a ponto de apresentar um significativo e custoso problema. Já o psicólogo americano Philip Zimbardo, professor da Universidade de Stanford, tentou fazer um experimento com seus alunos para testar o comportamento de cada um ao assumir determinado papel. Dividiu a sala entre prisioneiros e guardas da prisão e os deixou confinados no subsolo do Departamento de Psicologia. A pesquisa, que deveria se estender por duas semanas, não durou cinco dias, tal foi o grau de incorporação do papel por cada um. A "contagem" dos prisioneiros, por exemplo, que havia sido inicialmente instituída para ajudar a se acostumarem com seus números de identificação, se transformou em cenas de humilhação, que duravam horas. Os guardas maltratavam os prisioneiros e impunham-lhes castigos físicos, como por exemplo exercícios que obrigavam a esforços pesados. Muito rapidamente, a prisão tornou-se um local insalubre e sem condições de higiene e com um ambiente hostil e sinistro. O direito de utilizar o banheiro tornou-se um privilégio que poderia ser negado, assim como a comida. Alguns prisioneiros foram obrigados a despir-se e chegou a haver atos de humilhação sexual. Tão estranha quanto a crueldade cultivada pelos guardas era a passividade demonstrada pelos prisioneiros. Zimbardo explicou que eles internalizaram seus papéis a tal ponto que sofriam passivamente o tratamento sádico, covarde e humilhante que lhes era imposto. Quando algum deles pedia para sair, era submetido ao "comitê de liberdade condicional", onde seu caso era "julgado". (AA)