Produtores rurais de fora são apontados como responsáveis pela retomada dos megadesmatamentos e maior número de queimadas em Nova Ubiratã
RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
São os produtores rurais de fora que têm alçado o município de Nova Ubiratã (a 502 Km de Cuiabá) às primeiras colocações nos rankings de queimadas e desmatamentos em Mato Grosso. A afirmação é do prefeito Osmar Rossetto, por ocasião do aparecimento do município como o que mais concentra focos de calor no Estado desde o início do ano segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e como um dos que têm retomado os grandes desmatamentos na região, de acordo com o Instituto Centro de Vida (ICV). Rossetto não nega a responsabilidade de Nova Ubiratã, quinto maior produtor de soja do Estado, em grandes desmatamentos e números de focos de calor. Entretanto, afirma que os produtores da cidade têm se enquadrado às leis e que os grandes desmatamentos recentemente verificados são de grandes áreas cujos donos muitas vezes nem são do município ou sequer do Estado. Seguindo um raciocínio como a corda que arrebenta do lado mais fraco, Rossetto explica que os pequenos produtores e os originários do município têm agido nos conformes, até porque a Prefeitura já afirmou que vai denunciar quem desmatar ilegalmente. Tanto que a situação melhorou consideravelmente nos assentamentos, antes apontados como protagonistas de desmate e queimadas. Já os grandes produtores não têm por que se preocupar porque conseguem ficar além do alcance das fiscalizações ou porque as penalidades não representam verdadeiro prejuízo a eles. Fora isso, há a suposta noção de que o novo Código Florestal vá anistiá-los, o que provoca uma corrida para devastar as áreas o quanto antes, e ainda há a dificuldade de fiscalizar e controlar as queimadas que ocorrem nos seis distritos do município. Nós não conseguimos sensibilizar essas pessoas, alega o prefeito, dizendo-se preocupado com a imagem do município, mas também crítico em relação às condições impostas aos pequenos produtores, para quem falta crédito há três anos. NOVA UBIRATÃ Dos 3.973 focos de queimadas detectados este ano pelo Inpe, o município responde por 309, figurando em primeiro do ranking no Estado. Já o ICV apontou que, entre agosto do ano passado e abril deste ano, 66 novos desmatamentos foram detectados por satélites no município uma área devastada de 37 mil hectares. Num período passado ainda maior (agosto de 2009 a julho do ano passado), Nova Ubiratã havia devastado 2.300 hectares, uma área 16 vezes menor (1.608,7% de crescimento da devastação). Esta guinada é considerada um sinal de tendência de nova época com grandes desmatamentos em Mato Grosso.