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CIDADES
Sexta-feira, 13 de Maio de 2011, 21h:15

DEVASTAÇÃO

Município sofre ação de forasteiros

Produtores rurais de fora são apontados como responsáveis pela retomada dos megadesmatamentos e maior número de queimadas em Nova Ubiratã

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
São os produtores rurais de fora que têm alçado o município de Nova Ubiratã (a 502 Km de Cuiabá) às primeiras colocações nos rankings de queimadas e desmatamentos em Mato Grosso. A afirmação é do prefeito Osmar Rossetto, por ocasião do aparecimento do município como o que mais concentra focos de calor no Estado desde o início do ano – segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – e como um dos que têm retomado os grandes desmatamentos na região, de acordo com o Instituto Centro de Vida (ICV). Rossetto não nega a responsabilidade de Nova Ubiratã, quinto maior produtor de soja do Estado, em grandes desmatamentos e números de focos de calor. Entretanto, afirma que os produtores da cidade têm se enquadrado às leis e que os grandes desmatamentos recentemente verificados são de grandes áreas cujos donos muitas vezes nem são do município ou sequer do Estado. Seguindo um raciocínio como a corda que arrebenta do lado mais fraco, Rossetto explica que os pequenos produtores e os originários do município têm agido nos conformes, até porque a Prefeitura já afirmou que vai denunciar quem desmatar ilegalmente. Tanto que a situação melhorou consideravelmente nos assentamentos, antes apontados como protagonistas de desmate e queimadas. Já os grandes produtores não têm por que se preocupar porque conseguem ficar além do alcance das fiscalizações – ou porque as penalidades não representam verdadeiro prejuízo a eles. Fora isso, há a suposta noção de que o novo Código Florestal vá anistiá-los, o que provoca uma corrida para devastar as áreas o quanto antes, e ainda há a dificuldade de fiscalizar e controlar as queimadas que ocorrem nos seis distritos do município. “Nós não conseguimos sensibilizar essas pessoas”, alega o prefeito, dizendo-se preocupado com a imagem do município, mas também crítico em relação às condições impostas aos pequenos produtores, para quem falta crédito há três anos. NOVA UBIRATà – Dos 3.973 focos de queimadas detectados este ano pelo Inpe, o município responde por 309, figurando em primeiro do ranking no Estado. Já o ICV apontou que, entre agosto do ano passado e abril deste ano, 66 novos desmatamentos foram detectados por satélites no município – uma área devastada de 37 mil hectares. Num período passado ainda maior (agosto de 2009 a julho do ano passado), Nova Ubiratã havia devastado 2.300 hectares, uma área 16 vezes menor (1.608,7% de crescimento da devastação). Esta guinada é considerada um sinal de tendência de nova época com grandes desmatamentos em Mato Grosso.

Edição EDIÇÃO 16968




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